Consequências das chuvas fortes no Brasil: enchentes, inundações, alagamentos e deslizamentos
Enviada em 25/10/2024
No final do século XX, com a promulgação da Constituição de 1988, o Brasil reconheceu a importância do planejamento urbano e da preservação do meio ambiente como fatores essenciais para a qualidade de vida nas cidades, estabelecendo diretrizes que promovem o desenvolvimento adequado. Entretanto, ainda é possível notar as precárias condições adaptativas e estruturais das cidades brasileiras. Nesse contexto, esse cenário nefasto ocorre não só pela falta de políticas públicas, mas também pela urbanização desordenada.
Deve-se pontuar, de início, a influência do Estado- e de suas responsabilidades- na prevenção ou minimização dos danos de desastres ambientais no país. De acordo com o filósofo Zygmunt Bauman, crítico da modernidade líquida, as instituições governamentais- configuradas como zumbis- perderam suas funções sociais, todavia, tentam mantê-las a todo custo. Nese sentido, essas instituições incapazes de se adaptarem às necessidades, perpetuam um despreparo, devido à falta de infraestrutura que capacite o urbano para tais condições climáticas.
Ressalta-se, ademais, o desenfreado e inconsequente projeto de urbanização do país como contribuinte às catástrofes por tais eventos do clima. Então, a falta de infraestrutura adequada, somado à inexistência de medidas preventivas suficientes por parte do poder público contribui ainda mais para o impacto das chuvas. À prova disso, tem-se as inundações ocorridas em Minas Gerais no início do ano de 2024 qual, a falta de projetos de evacuação e adaptação urbana, combinado com fatores climáticos extremos, resultaram em grandes tragédias no estado.
Evidencia-se, portanto, a persistência de obstáculos estruturais no que tange as a presença das fortes chuvas no Brasil e suas consequências. Nesse âmbito, compete ao Ministério da Infraestrutura, aliado ao Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima, realizar programas prévios de planejamento urbano, por meio de monitoramento das condições climáticas das áreas mais vulneráveis, com intuito de responder à tais eventos. Além disso, devem apresentar logísticas de desenvolvimento urbano inteligentes, a partir do mapeamento minucioso, com objetivo de impedir os riscos ambientais derivados de tal manejamento urbano.