Consequências das chuvas fortes no Brasil: enchentes, inundações, alagamentos e deslizamentos

Enviada em 19/02/2025

Na obra “Triste fim de Policarpo Quaresma”, de Lima Barreto, a figura do protagonista é construída a partir da valorização de questões do próprio país. No entanto, fora da ficção, a realidade contemporânea está distante disso, haja vista as graves consequências das fortes chuvas no Brasil. Tal cenário ocorre, em especial, devido à omissão estatal e ao emudecimento da problemática.

Diante desse panorama, aponta-se como um fator determinante a inoperância do Poder Público. Isso porque, segundo o filósofo John Locke, o Estado deve garantir o deleite da coletividade. As autoridades, todavia, vão de encontro com a ideia de Locke, uma vez que possuem um papel inerte em relação à prevenção e ao combate aos desastres naturais, bem como a ausência de infraestrutura urbana, o que gera, em grande escala, a vulnerabilidade das comunidades e compromete a segurança da população. Desse modo, é inadmissível que, em uma sociedade democrática, os governantes tratem as chuvas intensas de forma precarizada.

Ademais, é importante salientar o silenciamento da questão. Sob esse viés, Djamila Ribeiro – expoente socióloga brasileira – defende que é crucial retirar um problema da invisibilidade para que ele seja resolvido. Com isso, o quadro nacional destoa da visão da pensadora, já que há uma escassez de debates quanto à importância de um planejamento urbano, o que colabora, na maioria das vezes, para a eliminação da vegetação nativa e a impermeabilização do solo, contribuindo para agravamento das enchentes nas cidades. Dessa forma, é inaceitável que o tema não seja amplamente discutido, dificultando, ainda mais a resolução do problema.

Portanto, é necessária uma intervenção pontual. Para isso, o Governo Federal deve, por meio de investimentos governamentais e parceria com o setor midiático, veicular, em TV aberta e em horário nobre, a importância de uma infraestrutura e saneamento básico adequados. Tal medida tem o objetivo de tirar o Estado de sua postura omissa, bem como ampliar a discussão sobre as consequências das chuvas fortes, a fim de que haja uma mobilização social para a construção de políticas públicas eficazes. Somente assim, o ideal proposto por Barreto será consolidado no Brasil.