Consequências das chuvas fortes no Brasil: enchentes, inundações, alagamentos e deslizamentos
Enviada em 18/05/2025
As enchentes no Rio Grande do Sul e no Recife, que causaram mais de 100 mortes, não são apenas desastres naturais, mas reflexos da realidade urbana do país. A desigualdade social empurra os mais pobres para áreas de risco, enquanto a falta de infraestrutura de escoamento agrava ainda mais os danos. Com o avanço do aquecimento global, situações assim tendem a se tornar cada vez mais comuns, exigindo respostas urgentes.
Antes de tudo, é importante relembrar o que causou a “periferização” da população mais pobre, sobretudo a negra. Quando a princesa Isabel assinou a Lei Áurea, em 1888, muitos acreditaram que o problema da escravidão havia se encerrado, mas, na verdade, outros foram criados. Entre eles, o preconceito com os ex-escravizados e a ausência de políticas públicas de inclusão, que os afastaram dos grandes centros e os forçaram a ocupar terrenos irregulares, frequentemente sujeitos a deslizamentos — especialmente durante chuvas intensas. Essa segregação persiste até os dias atuais e precisa ser enfrentada com urgência.
Segundo a Confederação Nacional de Municípios (CNM), 457 pessoas morreram nos cinco primeiros meses de 2022 em decorrência do excesso de chuvas — número que tende a crescer diante das mudanças climáticas, impulsionadas principalmente pela ação antrópica. Vale destacar que os maiores responsáveis por esse cenário muitas vezes não enfrentam os impactos diretos de suas ações: grandes fazendeiros que desmatam e provocam queimadas intencionais, ou empresários que priorizam o lucro acima de tudo, ignorando as toneladas de CO₂ lançadas na atmosfera. Enquanto isso, a população mais pobre — o chamado “povão” — sofre as consequências e, por vezes, ainda é culpabilizada por essa mazela ambiental.
Diante disso, é essencial que o Ministério do Meio Ambiente, junto ao Ibama, intensifique a fiscalização em fábricas e fazendas que contribuem com o desmatamento e a emissão de poluentes. Além disso, parcerias com empresas privadas podem viabilizar obras de drenagem, como os “piscinões”, para conter alagamentos. Medidas como essas ajudam a enfrentar os impactos atuais e a evitar desastres futuros.