Controle parental quanto ao uso da tecnologia: prevenção ou invasão à privacidade das crianças?

Enviada em 29/09/2019

Em um episódio da série distópica Black Mirror evidencia-se a insistente supervisão que uma mãe exercia sobre sua filha, inclusive, acerca do que a menina visualizava na Internet, o que interpõem-se entre invasão à privacidade do indivíduo e cautela dos pais nesses meios. Sob esse viés, fora da ficção, esse controle quanto ao uso da tecnologia configura-se como uma medida preventiva necessária, uma vez que a exposição a conteúdos inapropriados e a possibilidade de comunicação com estranhos é recorrente entre as crianças. Logo, urgem ações engajadas dos agentes adequados com o escopo de possibilitar um domínio parental eficaz, mas também equilibrado nessa questão.

Inicialmente, ressalta-se que, diante da diversidade de conteúdos no âmbito digital, esse meio torna-se perigoso para crianças, tendo em vista a viabilidade de acesso a imagens e a vídeos inadequados. Nesse sentido, o serviço de “streaming” Netflix e a plataforma You Tube, por exemplo, já possuem mecanismos que filtram e bloqueiam materiais impróprios para crianças, o que facilita o controle dos pais na Internet. Isso é importante, pois tais ferramentas apenas delimitam informações que já não devem fazer parte do contexto socioeducativo de jovens. Assim, percebe-se que as restrições devem ser feitas de modo a proteger os indivíduos enquanto desenvolvem-se e não têm autonomia sobre o que é relevante e benéfico na Internet.

Ademais, destaca-se que a possibilidade de comunicação com diferentes pessoas e o caráter de anonimato na Internet incentivam o controle parental. Nessa perspectiva, observa-se que muitas pessoas utilizam do viés inocente das crianças para seduzi-las no meio digital, o que favorece, por exemplo, a prática do abuso e do assédio sexual. A esse respeito, o filme “Confiar” denuncia precisamente esse cenário, em que a falta de monitoramento da família e ampla liberdade do jovens nas redes sociais oportunizaram a pedofilia. Com isso, nota-se que o acompanhamento virtual é válido para evitar efeitos maléficos na sociedade.

Destarte, a fim de monitorar de forma preventiva e equilibrada o uso da tecnologia pelos jovens, é imprescindível que a família esteja comprometida nessa temática, principalmente, enquanto o grupo em questão ainda não possui autossuficiência no meio virtual. Isso pode ocorrer por meio de diálogos, os quais orientem as crianças quanto aos perigos da Internet; de mecanismos que bloqueiem apenas conteúdos realmente impróprios para determinada faixa etária, como ocorre no Netflix, bem como do acompanhamento das pessoas com quem as crianças conversam. Talvez assim, o monitoramento do pais seja efetivado em benefício da proteção dos jovens contra deletérios cenários virtuais.