Controle parental quanto ao uso da tecnologia: prevenção ou invasão à privacidade das crianças?
Enviada em 19/09/2019
A internet foi criada 50 anos atrás, no auge da Guerra Fria, para suprir uma necessidade de comunicação rápida e flexível. Com a evolução dessa tecnologia, a troca de informações foi facilitada à todos que haviam internet, promovendo a globalização e acelerando inovações. Ninguém, porém, esperava que essa mesma provedora de criações e acessibilidades fosse abrir espaços para crimes, como pedofilia, pirataria e invasões digitais. Logo, ao permitir que crianças usem a ferramenta, estas ficam expostas aos devidos perigos. Torna-se necessário, então, o controle do acesso à informação online, mas sem abusar da liberdade da criança.
Primeiramente, é inegável que quaisquer limitações ferem o direito de escolha individual. John Locke, filósofo empirista, afirma que a liberdade é inalienável ao ser humano. A restrição, então, de acesso a algum conteúdo previamente determinado, pode ser vista como invasão a liberdade do outro. No entanto, se o limite imposto está de acordo com a vítima, a liberdade dela não segue como afetada, tornando a contenção benéfica para a vítima. Na Grécia Antiga, da mesma forma, os gregos se reuniam na Ágora para discutir acerca de decisões políticas e, quando chegavam a um consenso, estabeleciam uma decisão que favorecia a todos.
Entretanto, regras são necessárias para que a criança tenha uma infância bem desenvolvida. O filósofo brasileiro Mário Sérgio Cortella afirma que a disciplina é a organização da liberdade. Destarte, para que o indivíduo usufrua de suas permissões de maneira adequada, é preciso seguir as normas impostas pelos mais experientes. Caso contrário, a criança terá seu progresso vital comprometido, como estabelece a psicanalista Maria Rita Kehl, ao dizer que ela não cria métodos para lidar com a insatisfação e persistirá em uma vida tediosa ou presa nas funções do corpo.
Portanto, para que a criança usufrua de sua liberdade e desenvolva sua infância da melhor maneira possível, devem-se estabelecer algumas medidas. A priori, a família precisa tratar do assunto periodicamente e ensinar a usar a internet de maneira benéfica, buscando explanar as consequências do acesso indevido e manter uma concordância com os filhos. Ademais, o Ministério da Educação, junto com as secretarias municipais de educação, tem a necessidade de atribuir a disciplina de educação digital nas escolas municipais e estaduais. A disciplina será focada diretamente em como usar a internet em prol da educação e si mesmo, com instruções defensivas aos riscos. Desse modo, a comunidade infantil poderá aproveitar a internet e estabelecer uma relação harmoniosa com os pais.