Controle parental quanto ao uso da tecnologia: prevenção ou invasão à privacidade das crianças?
Enviada em 23/10/2019
No episódio “Arkangel”, da famosa série “Black Mirror”, uma mãe superprotetora implanta um chip na filha para controlar, através de um tablete, tudo que a criança pode ver ou sentir. Fora da ficção, o monitoramento parental — mediante aplicativos — é uma realidade. Nesse sentido, a facilidade dos recursos tecnológicos para assegurar os filhos pode assemelhar o lar com um regime totalitário, gerando perturbações. Contudo, a equilibrada aproximação dos laços familiares é fundamental para a segurança digital infantil e deve ser incentivada.
Em primeira análise, é necessário destacar o prejuízo individual e social defluente do excesso da fiscalização parental. Na obra “1984”, de George Orwell, o “Big Brother”, por intermédio das teletelas, observava constantemente a sociedade, de forma a dominar sua vontade, para a sua “segurança”. Essa vigilância opressiva, tal como ocorre em alguns lares — ainda que com intuito legítimo de manter seguro —, afeta deploravelmente as liberdades individuais. Em vista disso, pode-se gerar a revolta dos cerceados, do mesmo modo que na antologia britânica e na ficção distópica, o que subverte a base da grei — a família.
Por outro lado, a presença familiar é primordial não só para a formação da consciência moral do novo indivíduo como também para garantir a sua proteção das armadilhas do mundo virtual. Segundo o sociólogo Zigmunt Bauman, em sua produção “Modernidade Líquida”, com a globalização, as relações tornaram-se fluidas, haja vista a celeridade das comunicações. A esse respeito, é extremante importante que os pais mantenham um canal aberto com os filhos, com constantes conversas sobre os acontecimentos diários, bem como sobre se prevenir na internet. Destarte, a construção de vínculos parentais sólidos atua diretamente na vulnerabilidade individual.
Impende, portanto, que o controle parental é essencial, desde que sem demasia. Com isso, cabe ao Ministério dos Direitos Humanos incentivar o diálogo nos grupos familiares, além de alertar sobre os malefícios da preocupação excessiva. E deve atuar nas redes sociais — com propagandas educativas. Essa iniciativa tem o fito de orientar os responsáveis na defesa, com respeito, dos filhos. Assim, as coletividades serão mais democráticas, ao contrário do representado no célebre seriado.
OBS.: Sim, coloquei uma citação do texto motivador, porém no ENEM muito provavelmente não terá texto motivador com o seriado “Black Mirror”. Portanto, achei de bom uso esta alusão, como forma de treinamento para o ENEM.