Controle parental quanto ao uso da tecnologia: prevenção ou invasão à privacidade das crianças?

Enviada em 04/09/2019

Para o pensador francês Pierre Bourdieu, “aquilo que foi criado para ser um instrumento de democracia, não deve ser convertido em uma ferramenta de manipulação. Essa visão, embora correta, não é efetivada nos dias atuais, quando famílias utilizam de controles parentais- por aplicativos instalados no celular de seus filhos a fim de manipular e monitorar os conteúdos exibidos nos aparelhos. Assim, cabe analisar os pontos positivos e negativos de tal vigilância.

Em primeira análise, pontua-se a prevenção de crimes cibernéticos como uma grande vantagem do controle parental tecnológico. Isso porque, o avanço da tecnologia permitiu um fácil acesso de crianças a esse meio e fez com que criminosos  se aproveitassem da ingenuidade dos pequenos, fomentando crimes sexuais com a interação dos menores, se passando por boas pessoas. Logo, analisa-se a importância que os pais têm de visualizar o conteúdo acessado pelos filhos e como consequência quase natural a diminuição na incidência desses crimes virtuais.

Outrossim, temos como ponto negativo o excesso de controle. Isso acontece pois a privacidade é um direito de todos os cidadãos, e o não cumprimento de tal direito é crime e muitas vezes acaba prejudicando o psicológico do próprio usuário. Como exemplo: a falta de confiança nos pais ao contar sobre a vida pessoal ou até mesmo a alteração na auto estima. Desse modo, é necessária uma vigilância de forma moderada, a fim de evitar traumas psicológicos.

Portanto, a fim de estabelecer uma fiscalização equilibrada, é necessário que a mídia alerte as famílias sobre os perigos do excesso do monitoramento mas também a importância do mesmo por meio de entrevistas e documentários como forma de promover uma solução adequada. Cabe a família um monitoramento moderado de conteúdo até que a criança tenha consciência dos riscos, após esse período de tempo apostar nas conversas como forma de prevenção sempre respeitando a privacidade, para que a proteção não se torne ferramenta de manipulação.