Controle parental quanto ao uso da tecnologia: prevenção ou invasão à privacidade das crianças?

Enviada em 31/08/2019

Com a inovação dos meios de comunicação e a implementação da tecnologia na rotina, o acesso à internet tornou-se algo comum entre crianças e adolescentes, porém a alta exposição a certos conteúdos gera diversos problemas, além do crescente perigo de pedofilia, esses que devem ser evitados com o controle parental. Todavia esse controle em excesso causa certo desconforto às crianças e adolescentes.

A infância é a fase onde o indivíduo está em formação e toda informação recebida é absorvida e incorporada ao ser, é uma fase de extrema vulnerabilidade e isso torna a livre navegação das crianças um perigo. Visto que, a internet é um espaço onde há a exposição de todo tipo de conteúdo, incluindo violência, o controle parental se torna necessário para a prevenção da perda da integridade da criança.  Além disso há o crescente risco de armadilhas de pedófilos, esses que se aproximam com perfis falsos, podendo marcar local de encontro e abusar da inocência infantil, tornando esse controle mais crucial nessa fase da vida do indivíduo. Uma pesquisa realizada pela Unesco revelou um dado preocupante: 38% dos adolescentes de 11 a 17 anos costumam adicionar pessoas que não conhecem à lista de amigos nas redes sociais, o que torna o perigo ainda mais eminente.

Contudo, ao entrar no início da adolescência, esses controles passam a ser cada vez mais difíceis de manter ou implementar. O controle excessivo além de abalar a relação, causando desconfiança e a sensação invasão de privacidade nos adolescentes, torna a comunicação mais difícil à medida que o jovem não se sente confortável em conversar com os pais. Logo o controle nessa fase deve se afrouxar, liberando os controles aos poucos buscando a abertura para um diálogo e a conquista da confiança. Haja vista que a fase da juventude é uma fase onde o indivíduo se encontra mais consciente e menos vulnerável, a comunicação se torna imprescindível.

O papel educador dos pais é essencial na constituição do ser, logo a chave é dialogar com a criança transferindo-lhe as responsabilidades lentamente e ensinando-lhe como deve se comportar no mundo digital com o objetivo de preparar a criança para entrar na adolescência compreendendo os riscos da Internet e como evitar contato com desconhecidos, diminuindo assim a preocupação e desconfiança dos parentes. Assim como no mundo físico, o diálogo e acompanhamento parental é essencial no mundo digital, o controle deve ser duro durante a infância e se afrouxar com o passar do tempo. Ademais, o Governo deve por meio do Ministério da Educação promover palestras nas escolas sobre os perigos da internet e como se proteger deles, além de conversas com os progenitores afim de incentivar uma comunicação familiar melhor.