Controle parental quanto ao uso da tecnologia: prevenção ou invasão à privacidade das crianças?
Enviada em 02/09/2019
A partir da Revolução Técnico-científica, as tecnologias passaram a fazer parte da vida humana. Os impactos dos aparelhos eletrônicos para o ser humano são significativos, principalmente no que se refere às crianças, visto que são mais vulneráveis aos perigos da internet. Sendo assim, muito se tem discutido a respeito do controle parental quanto ao uso da tecnologia e em que medida este seria proteção ou invasão de privacidade.
Em primeira análise, vale ressaltar sobre a maneira com que os pais inserem a tecnologia na vida de seus filhos. Não são raras situações em que bebês já usem tablets e smartphones para entretenimento. Assim, as crianças crescem acostumadas a utilizar aparelhos eletrônicos por conta própria, sem terem o devido preparo. Dessa forma, caso os filhos acessem conteúdos indevidos, os pais acabam tomando decisões precipitadas que não esclarecem às crianças os riscos de determinadas atitudes na internet, o que leva não ao aprendizado, mas sim à revolta dos filhos.
Nessa perspectiva, o despreparo dos pais frente ao mal-uso do meio digital pelas crianças é outro fator para o impasse. Além de exercer o controle, os pais precisam aconcelhar os filhos quanto ao uso das tecnologias. De acordo com o filósofo Kant, o indivíduo atinge a maioridade quando, por meio da razão, consegue julgar suas próprias ações. Analogamente, os pais devem explicar aos filhos os perigos de fornecer dados pessoais a estranhos ou clicar em links que aperecem na internet, para que eles próprios possam fazer uma autorreflexão e se sentirem confortáveis em mostrar o que acessam online aos pais.
Fica evidente, portanto, os impasses quanto ao controle parental a respeito do uso da tecnologia pelas crianças. Logo, cabe às escolas realizarem palestras, ministradas por psicólogos, que exponham aos pais as melhores formas de realizar esse controle, evitando que este seja invasivo aos filhos. Ademais, o Ministério da Educação deve inserir na grade curricular comum aulas de informática que preparem os alunos a fazerem bom uso da internet, mostrando os riscos do meio digital.