Controle parental quanto ao uso da tecnologia: prevenção ou invasão à privacidade das crianças?
Enviada em 04/10/2019
Na obra " Utopia", do escritor inglês Thomas More, é retratado uma sociedade perfeita, na qual o corpo social padroniza-se pela ausência de conflitos e problemas. No entanto, o que se observa na realidade contemporânea é o oposto do que o autor prega, uma vez que a ausência de necessidade de controle parental, no uso de tecnologias, apresenta barreiras, as quais dificultam a concretização dos planos de More. Esse cenário antagônico é fruto tanto da falta de políticas públicas eficientes, quanto da falta de compreensão da importância das regras na internet. Diante disso, torna-se fundamental a discussão desses aspectos, a fim do pleno funcionamento da sociedade.
Precipuamente, é fulcral pontuar que a necessidade do controle da família deriva da baixa atuação dos setores governamentais, no que concerne à criação de mecanismos que coíbam tais recorrências. Segundo o pensador Thomas Hobbes, o estado é responsável por garantir o bem-estar da população, entretanto, isso não ocorre no Brasil. Devido à falta de atuação das autoridades, na criação de formas de bloqueio ao acesso de jovens nos sites de relacionamento ou que contenham violência e sexo explicito. Em consequência, sem a necessidade de comprovação da idade do usuário, muitos jovens estão burlando o sistema e, assim, correndo sério risco de fazer contato com pedófilos. Desse modo, faz-se mister a reformulação dessa postura estatal de forma urgente.
Ademais, é imperativo ressaltar a falta de entendimento dos adolescentes quanto ao cumprimento das regras como promotor do problema. Conforme o sociólogo alemão Dahrendorf, no livro “A lei e a ordem”, a anomia é a condição social em que as normas reguladoras dos comportamentos das pessoas perdem sua validade. De forma análoga, nota-se que as leis que regulamentam os atos na internet encontram-se em estado de anomia, pelo fato de serem infringidas, pelos jovens. Partindo desse pressuposto, alguns jovem não entendem os perigos de não cumprir as regras, tornando necessário um controle invasivo dos pais, para que não ocorra nenhum problema. Tudo isso retarda a resolução do empecilho, já que o excesso de curiosidade das crianças perpetua esse quadro deletério.
Assim, medidas exequíveis são necessárias para conter o avanço da problemática na sociedade brasileira. É fundamental, em vista disso, que o Ministério da Tecnologia proporcione a criação de leis, a serem aprovadas pelo Senado, que obriguem os sites para maiores de 16 anos, a ter um sistema de bloqueio eficiente, por meio da confirmações de dados, como o CPF, para que possa impedir o acesso de crianças nessas páginas. Aliado a isso, é necessário que seja desenvolvido nas escolas, palestras sobre os perigos da internet, para as crianças. Desse modo, atenuar-se-á, em médio e longo prazo, o impacto nocivo da necessidade do controle parental, e a coletividade alcançará a Utopia de More.