Controle parental quanto ao uso da tecnologia: prevenção ou invasão à privacidade das crianças?
Enviada em 16/10/2019
No filme Show de Truman, o protagonista descobre que teve toda a sua vida monitorada por câmeras e apresentada em um programa de televisão, causando a ele intenso sofrimento psicológico. De forma análoga, há defensores de que monitorar o conteúdo acessado pelos filhos seria uma invasão de privacidade semelhante a infligida no filme. Tal entendimento não se sustenta. Nesse sentido, devemos considerar o dever dos pais de prover um desenvolvimento saudável à prole. Sendo assim, é necessário considerar a facilidade de acesso a conteúdos inadequados para menores, assim como aspectos da modernidade que potencializam o risco dos jovens navegarem na internet sem acompanhamento parental.
Mormente, deve-se destacar que a possibilidade dos filhos entrarem em contato com conteúdos impróprios é grande. Segundo pesquisa divulgada no sítio eletrônico da empresa Intelbrás, 20% das crianças já acessaram conteúdos considerados impróprios pelos seus pais. Isto posto, nota-se que o risco de acesso a tópicos com toda sorte de impropriedades é relevante. Assim sendo, devemos atentar que, em razão da idade, são sujeitos em processo de amadurecimento e passíveis de elaborar essas informações indesejadas de forma disfuncional, tornando a vigilância dos pais imprescindível.
Outrossim, é importante notar que traços da sociedade pós-moderna potencializam os perigos aos jovens na internet. Nesse sentido, Zygmunt Bauman, sociólogo polonês, aponta a fugacidade das relações sociais e busca ininterrupta por prazeres imediatos. Tais características da modernidade líquida hodierna atreladas ao relativo anonimato promovido pelo ambiente virtual, confabulam para aumentar a quantidade de fontes com materiais impróprios disponíveis. Dito isso, fica evidente a necessidade do controle parental.
Destarte, medidas são imperiosas para viabilizar o monitoramento dos pais às ações de sua prole na rede mundial de computadores. Urge a necessidade dos adultos exercerem vigilância efetiva sobre as informações acessadas. Tal controle deve ser fruto de um acordo transparente com os filhos, baseado na confiança. Este acompanhamento será viabilizado por meio da utilização de aplicativos de monitoramento e compartilhamento de senhas com os adultos. Sendo assim, mitigar-se-á a possibilidade de contato com conteúdos inadequados sem haver o cometimento de invasões de privacidade não previamente acordadas, como aconteceu com o personagem chamado Truman.