Controle parental quanto ao uso da tecnologia: prevenção ou invasão à privacidade das crianças?

Enviada em 28/10/2019

No episódio “Arkangel”, da série Black Mirror, é apresentado um dispositivo que atua como uma babá eletrônica, que oferece aos pais a possibilidade de enxergar pelos olhos da criança e manipular o seu comportamento. Não distante da ficção, nos dias atuais, o controle parental é comumente visto, pois, é uma forma eficaz para proteger as crianças contra as ameaças disponíveis na internet.

A priori, é válido ressaltar que em um mundo cada vez mais interconectado, é vital que os pais e adultos responsáveis tenham um papel ativo no que diz respeito à segurança dos jovens ao utilizarem a tecnologia. Isso porque, apesar do mundo digital trazer benefícios para o cotidiano das crianças, elas são expostas a muitos riscos, como a pedofilia que, segundo a Delegacia de Repressão a Crimes de Informática (DRCI), o número de inquéritos envolvendo casos de pedofilia que iniciaram na internet aumentou em torno de 50% no ano de 2017. Essa ideia pode ser refletida a partir do argumento do Doutor Mahatma Gandhi, o qual afirma que o futuro depende do que é feito no presente. Essa conjuntura evidencia a importância da intervenção familiar para garantir à segurança ao utilizarem a internet.

Ressalta-se, ainda, como o excesso do uso da tecnologia pelos jovens podem influenciar negativamente o desenvolvimento desses indivíduos. Esse preocupante cenário pode ser avaliado através da pesquisa realizada pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) que avaliou os hábitos de 21 voluntários e constatou que 14 deles possuíam distúrbios de autocontrole e dificuldade de lidar com relacionamentos. Partindo dessa visão, para evitar aumento de um problema de saúde pública, é imprescindível o controle parental quanto ao uso da tecnologia.

Dessa forma, fica nítida a importância da administração familiar no que tange a utilização da internet. Para intensificar essa intervenção dos responsáveis, é necessário que Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC) promova métodos de controle às famílias, como a criação de aplicativos que permitam o resumo de como a internet foi utilizada, a fim de garantir um acompanhamento efetivo e evitar aumento dos crimes nas redes sociais. Ainda, cabe ao Ministério da Educação, em parceria das Universidades, promover palestras e campanhas que orientem as famílias e jovens sobre os males gerados pelo uso excessivo da internet e formas de lidar com essa situação, para diminuir os distúrbios causados por esse uso. Com o controle parental quanto à utilização das tecnologias, as crianças terão a orientação necessária para interagir com essas ferramentas.