Controle parental quanto ao uso da tecnologia: prevenção ou invasão à privacidade das crianças?

Enviada em 26/10/2019

Segundo o filósofo Marshall McLuhan, o homem é constantemente modificado pela tecnologia, sendo esta, extensão do próprio corpo. Acerca disso, é notório o poder que a modernidade tem em trazer várias benesses para a sociedade, embora que, a internet, por exemplo, se usada em demasiado pode acarretar sérios problemas ao desenvolvimento, principalmente do público infantil. Diante disso, é necessário lançar um olhar cauteloso sobre o controle parental quanto ao uso da tecnologia pelas crianças, tanto por proteger o infantojuvenil, quanto por dificulta sua inserção social.

Em primeiro lugar, vale dizer que os pais tem papel fundamental na defesa dos mais novos contra a ciberviolência. Nesse sentido, vale lembrar o que fala o humanista Thomas Morus, em sua obra “A Utopia”, ao retratar que o homem prudente é aquele que previne antes de precisar dos “remédios”. Indo ao encontro dessa ideia, vários levantamentos jornalísticos tem mostrado o fortíssimo crescimento da exposição de crianças e adolescentes nas redes sociais, de modo a - infelizmente - atrair pedófilos que buscam formas de aproveitar cruelmente da situação. Não há como negar, então, que é imprescindível o acompanhamento dos menores a fim de remediar gravíssimas problemáticas futuras.

Em segundo lugar, é relevante dizer que a utilização adequada da tecnologia é capaz de introduzir verdadeiramente a criança na comunidade. De fato, é isso o que ocorre, como afirmam estudos feitos em meninos de oito anos, os quais apresentavam autismo e - reconhecidamente - melhoraram o convívio social a partir do maior uso e interação com outras pessoas por meio da internet. Uma conjuntura assim, onde impera o equilíbrio na coerção parental, é importantíssimo no progresso das crianças.

Por fim, é primordial propor uma proposta interventiva. Para tanto, o Ministério Público - órgão responsável por defender a ordem jurídica e interesses sociais e individuais - deve garantir o pleno respeito e conhecimento do Marco Civil da Internet, com intuito de informar e esclarecer sobre os limites viáveis do uso tecnológico por parte do público infantil. Isso pode ser feito por meio de campanhas socioeducativas, com disponibilização de cartilhas, vídeos e divulgação na TV, além da promoção acompanhamento em regiões mais sucetíveis ao desconhecimento. Sabe-se que isso não solucionará a problemática por completo, mas é importante rumo a construção de uma sociedade mais profícua.