Controle parental quanto ao uso da tecnologia: prevenção ou invasão à privacidade das crianças?
Enviada em 28/10/2019
Na série ‘‘Black Mirror’’, é retratada, em um episódio, uma mãe que implanta um dispositivo em sua filha, que permite conhecer sua localização, protegê-la de visões que possam ser perturbadoras e até mesmo ver o que ela vê. Fora da ficção, pode-se observar, no século XXI, a importância da discussão e reflexão sobre esse assunto. Contudo, no atual contexto brasileiro, o controle parental quanto ao uso da tecnologia apresenta pouca repercussão, o que dificulta sua conscientização por parte dos pais. Destarte, é necessário analisar as razões que fazem dessa problemática uma realidade no país.
Nesse contexto, cabe abordar que a tecnologia se faz aliada dos pais na preservação das crianças. De acordo com Zygmunt Bauman, tudo é mais fácil na vida virtual, mas perde-se a arte das relações sociais e da amizade. Dessa forma, é notável que os genitores devem fiscalizar e filtrar as ações de seus filhos na internet, com o intuito de evitar o uso excessivo e inadequado da tecnologia, que pode trazer problemas no ciclo social da criança, como as conversas com desconhecidos. Isso é evitado com ferramentas tecnológicas que visam à proteção dos jovens, e que são encontrados em aplicativos de bloqueio de dispositivos impróprios para a idade e sites de jogos educativos, como o Iguinho, que oferece um portal de entretenimento e didática para as crianças. Logo, verifica-se como os pais podem utilizar a tecnologia de maneira eficiente na segurança de seus filhos.
Ademais, outro fator a salientar é a preocupação com o excesso de controle. Segundo uma pesquisa do Avast Antivírus, 76% dos brasileiros estão convencidos de que os dispositivos de controle devem ser usados para monitorar os hábitos do dia-a-dia dos adolescentes. Nesse sentido, nota-se que existem genitores que atravessam a linha imaginária da confiança entre seus filhos, monitorando-os sem seus consentimentos. Dessa maneira, a relação familiar fica desgastada, devido à falta de informalidade entre os envolvidos, e a melhor estratégia para reverter essa situação é o diálogo entre pais e filhos. Nessa perspectiva, nota-se como os genitores devem se preocupar em não exceder o limite no controle de suas crianças.
Portanto, diante dos aspectos observados, medidas são necessárias para resolver esse problema. Assim, cabe ao Ministério da Ciência e Tecnologia, por meio de investimentos, produzir novos aplicativos e sites educativos para as crianças, com a finalidade de ajudar os pais na segurança de seus filhos. Ademais, compete ao Ministério da Educação, em parceria com a mídia, divulgar sobre a importância da relação de confiança entre família quanto ao uso da internet, por meio de propagandas e palestras, a fim de formar um senso crítico nos pais em relação às conseqüências do excesso de zelo. Dessa forma, pode-se promover a conscientização da população acerca do controle parental.