Controle parental quanto ao uso da tecnologia: prevenção ou invasão à privacidade das crianças?
Enviada em 28/10/2019
No seriado “Catfish”, produzido pela emissora MTV, são retratados inúmeros casos do fenômeno homônimo, onde pessoas em conversas online se passam por outras para, de modo mal intencionado, atrair algum usuário. Muitas vezes, as vítimas são menores de idade que são enganados por pedófilos e outros criminosos. Assim, é evidente que a internet, apesar de uma importante ferramenta, pode ser perigosa para as crianças que pela inocência ou má orientação podem acabar tendo sua segurança comprometida. Sendo assim, torna-se necessária a intervenção, não abusiva, dos pais para garantir sua navegação segura.
A princípio, é necessário ressaltar que a internet é um meio ilimitado de informações e conteúdos, ela pode gerar inúmeros conhecimentos e ser uma grande aliada no desenvolvimento intelectual. Contudo, esse mesmo livre acesso pode ser prejudicial aos infantes que navegam por sites inapropriados e que podem trazer graves consequências, como nos casos de “Catfish”. Além dessa, há outras situações perigosas como a ascensão de grupos extremistas, por exemplo a Al Qaeda, que convoca jovens por todo o mundo pela internet para participarem da sua luta, muitas vezes esses acabam mortos. Logo, é inegável que é necessário prezar pela segurança das crianças na internet.
Todavia, o controle excessivo e abusivo dos pais sobre a navegação dos filhos pode se tornar um fator de conflitos. Haja vista que a visualização de históricos, fotos e mensagens acabam se tornando uma invasão de privacidade que vão contra a ética do filósofo Immanuel Kant, que visa que uma ação deve ser realizada somente se puder se tornar uma prática universal, uma vez que grande parte da população não gostaria de ter seus dados expostos. Dessa forma, o controle parental deve ser realizado de modo que seja o menos invasivo possível, com o auxílio de ferramentas dos próprios sites e aplicativos.
Portanto, para garantir a segurança das crianças na internet sem utilizar de métodos abusivos e assim manter a confiança familiar é necessário que algumas medidas sejam tomadas. Cabe às empresas privadas como o Google, o Youtube e a Netflix fornecerem ferramentas eficientes para a limitação de conteúdos para menores de idade, de modo a dificultar o cadastro de emails falsos, que geram idades não coniventes com a realidade, para garantir a não visualização de conteúdos não apropriados para menores de idade. Ademais, os pais devem estabelecer conversas com os filhos, de modo à os orientar como utilizar a internet de modo benéfico, mostrando o que não se deve acessar mas sem impor monitoramentos para, desse modo, garantir a confiança da criança. Assim é possível garantir o bom uso das tecnologias para a nova geração.