Controle parental quanto ao uso da tecnologia: prevenção ou invasão à privacidade das crianças?
Enviada em 28/10/2019
Para Max Weber, toda ação social tem uma intenção, sendo ela fundamentada em fins, valores, tradições, ou emoções. Na contemporaneidade, os responsáveis utilizam da vigilância, uma ação social baseada em princípios de proteção, para evitar que os seus filhos sejam atingidos por crimes cibernéticos. Contudo, no Brasil, o controle parental na acessibilidade infantil à tecnologia sem as devidas precauções ocasiona desgastes nas relações familiares, em virtude da falta de confiança produzida entre os entes, situação que pode ser contornada a partir da educação.
Primeiramente, vale ressaltar que a invasão da privacidade acarretada pelos adultos, visando a proteção da criança, promove a fragmentação das relações. Consoante a isso, o terapeuta e psiquiatra Daniel Sampaio, afirma que a quebra de confiança entre uns e outros é um ingrediente para o conflito. Nesse viés, o controle parental pela vigilância das redes sociais e outras atividades na internet interfere na capacidade dos jovens em exporem as dificuldades que estão passando no ambiente virtual, o que diminui a procura de ajuda em como lidar com os problemas provindos desse meio, como o ‘‘cyberbullying’’ e a pedofilia. Assim, a ocorrência desses perigos é intensificada pela má comunicação entre os familiares.
Ademais, a educação é imprescindível para atenuar a problemática do controle parental na juventude, haja vista que ela oferece a liberdade requerida pelos indivíduos e tranquiliza os pais. Nesse contexto, para o filósofo existencialista Jean-Paul Sartre, o maior peso da liberdade está na consciência do indivíduo em arcar com as consequências das suas ações. Dessa forma, ao serem informados dos perigos no âmbito tecnológico, as crianças podem ser conscientes das suas ações e evitar os crimes cibernéticos, sem terem a sua “liberdade” de privacidade ferida, além das relações desgastadas pela coercitividade imposta.
Depreende-se, portanto, que a vigilância na acessibilidade dos jovens à tecnologia precisa ser substituída pela educação. Nesse sentido, urge que o Ministério da Educação, em conjunto com as famílias, promovam a troca de informações sobre o tema, por meio de debates, a fim de ensinar as crianças como portar-se na internet e evitar que elas sejam prejudicadas pelos crimes no meio digital. Essa ação deve ser realizada de forma trimestral nas escolas, sendo a informação sobre os males cibernéticos debatida mensalmente no âmbito familiar. Desse modo, a ação social, baseada em valores, reproduzida pelos responsáveis pode assegurar efetivamente a proteção ao público infantojuvenil.