Controle parental quanto ao uso da tecnologia: prevenção ou invasão à privacidade das crianças?
Enviada em 29/10/2019
Segurança e confiança
O filme “Buscando” retrata um pai em busca de sua filha desaparecida. Apesar de existir muitos longas-metragens com essa temática, a obra em questão se destaca porque se passa exclusivamente em telas de celulares e computadores, o que chama atenção para os perigos que a internet oferece. Por isso, é importante que pais busquem controlar os filhos quanto ao uso de tecnologias. No entanto, ainda são poucas as pessoas que tentam proteger as crianças dos malefícios do mundo digital, e menos ainda são aquelas que o fazem da maneira correta.
Nesse contexto, de acordo com Ernie Allen, advogado especialista em segurança digital, os riscos do ciberespaço são absurdamente ignorados pelos pais. Para ilustrar, segundo um relatório do Fórum Econômico Mundial (FEM), mais de 50% das crianças entre 8 e 12 anos estão expostas à ação de criminosos, como pedófilos e traficantes de pessoas. Logo, percebe-se que a população é desinformada, pois o simples uso de ferramentas de segurança para a navegação, como programas que bloqueiam conteúdo inapropriado, garantiria muita proteção.
Ademais, além de adotar meios para proteger os filhos, os mais velhos precisam saber como lidar com os mais novos. Nesse ínterim, conforme explica Michel Foucault, quando aquele que detém o poder age de forma repressiva, as relações interpessoais são prejudicadas, tendo em vista que o oprimido pode passar a agir de forma escondida. Assim, infere-se que os a família deve criar laços de confiança que se baseiem no diálogo e no equilíbrio, para que não haja risco da criança ocultar possíveis problemas que estejam enfrentando.
Destarte, para promover mais segurança à juventude, o Estado de agir em duas frentes. Por um lado, o Ministério da Saúde deve ampliar o programa “Estratégia Saúde da Família”, recrutando graduandos em Psicologia e em Medicina de todas universidades públicas do Brasil e os enviando às escolas para identificar, nos alunos, indícios de má relação familiar e às residências para fortalecer os laços entre as crianças e os seus responsáveis. Por outro lado, o Ministério da Comunicação deve criar uma parceria com a ONG Safernet, a qual é pioneira no combate ao crime cibernético no Brasil, e difundir ferramentas que proporcionem uma navegação mais segura, como filtros de conteúdo maliciosos, por meio de uma ampla divulgação de propagandas nas redes sociais, com o intuito de evitar que famílias passem pelos momentos de desespero que são retratados no filme “Buscando”.