Controle parental quanto ao uso da tecnologia: prevenção ou invasão à privacidade das crianças?

Enviada em 19/04/2020

O cineasta e jornalista Arnaldo Jabor compreende a internet como um meio democratizador que visa a liberdade de expressão dos cidadãos. Todavia, além de dar voz a sociedade, essa também é espaço para prática de crimes e atividades lesivas ao desenvolvimento da criança, visto que esse artifício é instrumento para a disseminação de jogos que fomentam o suicídio e aliciamento infantil. Em virtude disso, com intuito de minimizar a coação desses mecanismos e de salvaguarda a imagem e os valores morais e éticos dessa faixa etária, surge a necessidade de debater sobre o controle parental como forma de prevenção a problemática.

Em 2017 o jogo Baleia Azul, o qual foi originado em redes sociais russas e influenciou o público pueril, que estava em situação de sofrimento emocional, a participar de procedimentos de mutilação e tentativas de suicídio, chegou ao Brasil. Por consequência, nesse mesmo ano, foi efetuada uma audiência pública na Comissão de Direitos Humanos e Legislação Participativa que visava combatê-lo, na qual o Senador Federal José Medeiros sustentou uma afirmação que gerou muita repercussão: “os pais não podem se dar o direito de não saber o que se está fazendo no universo”, isto é, embora as crianças tenham habilidades técnicas para usufruir dos meios tecnológicos não significa que essas tenham maturidade para entender os risco associados a isso, o que torna o controle parental essencial.

Outrossim, em um mundo globalizado onde acesso a internet é cada vez mais fácil, o público infantil  torna-se alvo de crimes virtuais, como por exemplo, a pedofilia, visto que esse passa boa parte do tempo online sem supervisão dos responsáveis e que o meio tecnológico é o principal  ambiente utilizado para esse tipo de crime. Os criminosos buscam atrair as crianças por meio da projeção de uma realidade que essas apreciam, assim, estabelece-se uma relação de confiança entre ambos, contudo, o principal objetivo é convencê-las a se expor sexualmente para o fim de praticar atos libidinosos e essa por não ter discernimento para identificar a seriedade da questão cede.

Dessarte, as crianças precisam, sim, desfrutar dos benefícios oferecidos pela tecnologia, mas de uma forma orientada,na qual haja um efetivo controle dos pais. Dessa forma, cabe a esses chamarem a responsabilidade para si e inspecionar e direcionar seus filhos no manuseio dessa ferramenta, por meio de diálogos que visem a negociação de tempo diário online e conscientização de como usufruir de forma responsável dos meios tecnológicos. Ademais, é necessário que o Ministério da Educação proporcione palestras voltadas para as famílias nas escolas, as quais busquem dar ênfase a importância do controle parental nas plataformas online. Assim, com essas medidas preventivas, haverá a minimização dos danos causados por essa e a proteção da  integridade moral das crianças.