Controle parental quanto ao uso da tecnologia: prevenção ou invasão à privacidade das crianças?
Enviada em 16/04/2020
Infância.com
No dicionário, algo “íntimo” está definido como o que é interior e privado, presente no âmago do ser. Para a tecnologia, o conceito pode ser aplicado aos dados pessoais presentes em toda a superfície da Internet. É possível dizer que por onde os usuários trafegam na internet, estes deixam rastros, que equivalem as impressões digitais no mundo real. Esses dados podem ser muito úteis para empresas, e valem muito dinheiro direcionado a publicidades.
Um célebre caso, sempre citado nos cursos de Publicidade e Marketing é o “Caso Target”. Trata-se de um pai americano, que recebeu cupons que tinham como alvo uma mulher grávida e foi enfurecido ao supermercado, pois achava que se tratava de um erro. Alguns meses depois, o mesmo pai se comunicou com o estabelecimento, desculpando-se pois o cupom tinha um alvo correto: sua filha. A empresa conseguiu descobrir a gravidez devido a esses rastros e também a uma combinação de produtos adquiridos comuns as gestantes.
Para a geração Alpha, isto é, os nascidos após 2010, não há mundo analógico, de modo que para estes não é possível estabelecer um paradoxo entre o estágio anterior e o estágio atual da camada de interação virtual do ser humano. Ao se tornar o alvo principal, essas crianças levam aos seus responsáveis, que ocasionalmente não sabem lidar com o inimigo oculto que se localiza no submundo virtual da Internet.
Correlacionando esses fatos ao dado do Comitê Gestor da Internet no Brasil, que diz que 86% dos jovens brasileiros entre 9 e 17 anos está conectado a Internet, é possível inferir que muitos jovens no Brasil podem estar expostos a diversos males cibernéticos. Sabendo-se que a diminuição do índice dos crimes virtuais é diretamente ligada a abordagem dos fatos na família, é necessário que haja uma regulação no conteúdo desses pré-adolescentes, pois muitos não tem discernimento suficiente para se defender das ameaças da internet, como a pedofilia virtual ou o roubo de dados.
Parafraseando Kant, “o ser humano é aquilo que a educação faz dele”, faz-se necessária, portanto, a abordagem desses crimes na escola primordialmente. Essa abordagem pode ser feita através de palestras, de publicidade ou de outras campanhas de conscientização. Os parentes próximos tem papel fundamental, pois é normalmente no local onde esses se localizam que ocorrem os crimes virtuais. É papel do Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações a regulação da Internet e a colaboração com a Polícia Federal para que os infratores virtuais sejam punidos.