Controle parental quanto ao uso da tecnologia: prevenção ou invasão à privacidade das crianças?
Enviada em 19/04/2020
A tecnologia avançada impregnou-se na sociedade atual, sendo mais utilizada entre crianças, jovens e adolescentes, tendo como maior exemplo a internet, que conecta pessoas de todas as partes do mundo. Em razão dos perigos ocasionados por esta ferramenta, há o Marco Civil da Internet, lei federal que busca estabelecer um padrão comportamental ao usuário desta rede. A despeito desta determinação, muitos responsáveis por crianças não se sentem confortáveis quanto ao uso desta ferramenta por seus filhos, isso ,muitas vezes, os leva a ferir a liberdade destes, exercendo um controle parental exagerado. Em contrapartida, com a vida atual, diversas pessoas que possuem a responsabilidade de cuidar de crianças não a tem cumprido adequadamente por conta de suas profissões e estão deixando estes menores de idade expostos a toda categoria de conteúdo.
Através da tecnologia, muitos crimes podem ser cometidos, sendo as crianças um dos públicos mais afetados, por conta de sua ingenuidade. Sob esse panorama, redes sociais, videogames e outras plataformas que permitam que meninos e meninas entrem em contato com adultos podem ser instrumentos usados por criminosos para prejudica-los. Em oposição a tais comportamentos, diversas plataformas e aplicativos possuem mecanismos de inibição de acesso a conteúdos inapropriados a menores de idade, porém, ainda assim, cerca de 80 por cento dos pais afirmaram não saber o que os filhos acessam na internet, segundo pesquisa feita pelo CyberHandbook.
Com os perigos do mundo tecnológicos cada vez mais explícitos, numerosos progenitores tendem a proteger os seus descendentes de forma exagerada, controlando aquilo que estes tem acesso de forma demasiada. Em razão disto, aqueles que estão sobre sua responsabilidade muitas vezes sentem-se violados em sua liberdade e tem sua relação com seus responsáveis desgastada. A respeito disto, a autora e educadora Jessica Lahey escreveu “Pais superprotetores, Filhos Bananas”, livro no qual ela fala sobre os prejuízos causados por estes pais que criam uma espécie de “bolha” ao redor dos seus filhos.
A respeito de tudo já comentado, as instituições policiais devem dar palestras em ambientes de trabalho, demonstrando o formato de conversa que aqueles que se aproveitam de crianças virtualmente para cometer crimes contra elas geralmente utilizam, com a finalidade de conscientizar os pais dos riscos presentes na tecnologia e, assim, eles protejam seus filhos. Complementarmente a essa medida, as escolas públicas, por meio de verba pública, e privadas, por meio de cortes em outras áreas não essenciais, devem contar com psicólogos entre seus funcionários, para que estes gerem um diálogo entre alunos e seus responsáveis, a fim de reduzir a proteção excessiva dos pais sobre os filhos.