Controle parental quanto ao uso da tecnologia: prevenção ou invasão à privacidade das crianças?

Enviada em 20/04/2020

É indiscutível que jovens tem contato com a tecnologia cada vez mais cedo, como o exposto na pesquisa do TIC KIDS online divulgada pela revista Época, visto que nesta constatou-se que por volta de 85% dos jovens entre 9 e 17 anos utilizam a internet de forma constante. Naturalmente, pais vem tendo divergências em como lidar com tal exposição à internet, entre dar um maior volume de liberdade aos jovens, ou agir de forma rígida e protegê-los.

De início, é claro que medidas rígidas adotadas pelos pais, em sua maioria tem como objetivo zelar pela segurança das crianças contra ameaças, como a exploração sexual de jovens na internet. No entanto, ocorre que pais utilizem de tal pressuposto para exercer controle sobre a vida online e social dos filhos, como a acesso a aparelhos celular dos jovens sem seu conhecimento a fim de vigiar suas interações com outros.

Por outro lado, medidas de controle parental menos agressivas, mesmo que com a intenção de respeitar a privacidade dos adolescentes, deixam crianças vulneráveis a ameaças na internet. Isso ocorre porque diferente dos adolescentes, crianças são muito influenciáveis e ingênuas, o que as torna alvos fáceis de táticas de venda predatórias, além de grupos de predadores sexuais presentes na internet.

Diante disso, fica clara a necessidade de intervenção do estado, de modo que ofereça conscientização aos pais sobre o tema e possam zelar pela segurança e liberdade dos filhos, direitos garantidos pelo Estatuto da criança e do adolescente. Portanto, as esferas municipais e estaduais deveriam utilizar das secretárias de educação e cultura para realizar palestras com especialistas da área de psicologia familiar aonde abordam o tema, além de incentivar o diálogo entre a família no lugar de medidas unilaterais que ferem o individuo. Assim, estará garantido a formação prévia dos futuros cidadãos com as ferramentas modernas, que são base para o futuro.