Controle parental quanto ao uso da tecnologia: prevenção ou invasão à privacidade das crianças?
Enviada em 20/04/2020
Com a terceira revolução industrial, processo que ficou conhecido como revolução técnico-científico-informacional, o fluxo de informações e serviços aumentou consideravelmente, com o advento da internet e as possibilidades e questões que esta trouxe. As instantâneas trocas de informações propiciam o aumento de conhecimento e a formação de um senso crítico, em contrapartida deixam os jovens mais vulneráveis à ataques, situação que os pais tentam superar a todo custo. Por isso, existe uma linha tênue que separa o saudável controle parental, de uma invasão de privacidade que é nociva aos filhos.
Em primeira análise, o artigo 29 da lei número 12965 prevê que o usuário terá a livre escolha na utilização de programa de computador em seu terminal para o controle parental de conteúdos considerados impróprios. Os pais têm o direito garantido por lei para utilização destes recursos, e devem usá-los em alguns casos para proteger as crianças que, ainda imaturas, se colocam em risco em sites e programas com conteúdos inapropriados para os quais não tem senso crítico para discernir. Então, se mostra a importância do acompanhamento na manipulação de dados pelos responsáveis para garantir a proteção da juventude que é prevista no Estatuto da Criança e do Adolescente.
Em segunda análise, no momento que os pais radicalizam o controle sobre os filhos, a prática que tinha o intuito de proteger passa a ser nociva a eles. Esse fenômeno pode ser observado em países que impõem uma grande censura a internet, como China e Coreia do Norte, os quais possuem uma população majoritariamente alienada e que seguem sem questionamentos seus líderes. Analogamente, a radicalização do controle parental, em que os pais não deixam os filhos terem contato com outros pensamentos, colabora para o processo de alienação das crianças e as tornam completamente fechadas a novas opiniões e pensamentos, o que causa danos ao desenvolvimento infantil em meio a sociedade.
Por conseguinte, um desequilíbrio nesta linha tênue que separa as duas partes pode causar sucessivos problemas tanto para os jovens quanto para seus pais. Por isso, é necessário que haja diálogo entre pais e filhos intermediado pelas escolas, por meio de supervisão pedagógica, com o intuito de facilitar as conversas e promover as balanceamento de suas relações. Além disso, é preciso que empresas privadas criem mecanismos mais eficazes e fáceis de serem utilizados de controle parental por intermédio de seus programadores, com o objetivo de deixar as crianças protegidas de sites inapropriados para sua presença.