Controle parental quanto ao uso da tecnologia: prevenção ou invasão à privacidade das crianças?
Enviada em 20/04/2020
No filme “Enrolados”, a personagem principal, Rapunzel, é mantida isolada em uma torre por 18 anos pela sua madrasta que alega a prender por proteção. No entanto, devido a atitude da mulher de confinar a menina, a curiosidade de Rapunzel aflora e ela passa a desejar sua liberdade a fim de conhecer o mundo que ela observava de longe. Com a ajuda de uma de um ladrão intruso, ela consegue fugir contra a vontade da madrasta. Na vida real, pode-se assemelhar a superproteção entre a mãe e Rapunzel com a de alguns pais para com os seus filhos em diversas situações, incluindo o uso da tecnologia.
Sabe-se que no Brasil e no mundo há um avanço tecnológico e, junto a ele, o aumento da criminalidade virtual. Crimes esses que são cometidos contra todo o tipo de pessoas, incluindo crianças e adolescentes. A pedofilia, por exemplo, segundo a delegada Daniela Terra através do G1, vem crescido de forma exponencial com 50% de aumento no ano de 2017. Sob esse viés, é inerente aos pais que tenham ações preventivas para evitar colocar os próprios filhos em situações perigosas e expor os mesmos à outros possíveis acessos inapropriados para a idade deles, como a pornografia e a exposição de dados pessoais que facilitam a realização de crimes.
Contudo, atos severos de proibição quanto ao uso da internet podem causar um efeito reverso, da mesma forma que ocorre no filme citado. Tais medidas possuem capacidade de gerar curiosidade nos menores, tal que possa levar os mesmos à acessar sites contra a permissão dos pais. Para essa medida preventiva não se tornar invasiva, trata-se dos responsáveis tornarem seus métodos de educação baseada na confiança mútua, com o fito de esclarecer pontos aos quais as próprias crianças não precisem tirar suas conclusões escondidas sobre assuntos que possuem dúvidas. Relações familiares estreitas o suficiente para sanar curiosidades sem que haja a ocultação de nenhum ponto e que, principalmente, garante a segurança da família. A prevenção precisa estar presente, porém de forma saudável.
Diante da problemática, é papel da família reavaliar seus métodos educacionais com o intuito de passar a estimular conversas mais abertas sobre assuntos que possuem dúvidas para que não haja a procura de respostas de forma inapropriada. Além disso, a esfera educacional deve se posicionar através de palestras nas escolas que abordem assuntos sobre a criminalidade virtual e os perigos que trazem para as crianças e, também, para a família em geral a fim de alertar e informar os jovens sobre o assunto. É de suma importância que todas essas atitudes sejam tomadas para que, ao contrário do filme “Rapunzel”, os menores possam entender e permanecer seguros.