Controle parental quanto ao uso da tecnologia: prevenção ou invasão à privacidade das crianças?
Enviada em 21/04/2020
Segundo o filósofo e sociólogo Zygmunt Bauman, “as redes sociais são muito úteis, oferecem serviços muito prazerosos, mas são uma armadilha”. Na sociedade contemporânea, é notória a forma como essa citação se faz cada vez mais presente na vida dos cidadãos, e o avanço da tecnologia exige que os pais reinventem o modo de criação de seus filhos.
Em primeira instância, deve-se ter em vista que a digitalização tem seus benefícios e malefícios, principalmente para uma criança em desenvolvimento, que ainda não possui a capacidade de discernir o certo do errado. Ao mesmo tempo que o uso da internet entretêm os menores e possibilita que tenham acesso a conteúdo interativo de aprendizagem, também os expõe a “cyberbullying”, materiais para maiores de idade, assédio virtual e exploração sexual.
Os dados de pesquisas feitas pelo “TIC Kids Online Brasil” apontam que 41% das crianças de seis anos que usam a internet não são supervisionadas pelos pais ou responsáveis. Os pesquisadores dessa instituição também afirmam que o tempo exagerado que os menores gastam usando tecnologia, tem consequências psicológicas e que podem afetar o desenvolvimento das seguintes formas: afastamento social, baixa autoestima, dificuldade de concentração e impulsividade, além de resultar em “transtornos mentais” graves como a depressão e a ansiedade.
No que tange ao controle parental quanto ao uso da tecnologia, alternativas eficientes para evitar que crianças caiam em “armadilhas digitais” já existem, como o “SafeSearch” que restringe o acesso à sites de conteúdo livre, e o “Modo de Segurança” do ‘‘Youtube’’ e de videogames que também limita o acesso a determinados materiais. Enquanto manter o controle do que menores visualizam na internet é importante, a superproteção faz com que eles não tenham confiança em seus responsáveis. É essencial protegê-los dos perigos virtuais, mas deve-se ter em vista que a geração atual é extremamente globalizada e proibir os mais novos de usufruírem da digitalização pode não ser a opção mais eficaz.