Controle parental quanto ao uso da tecnologia: prevenção ou invasão à privacidade das crianças?

Enviada em 23/04/2020

A Guerra Fria, oficializada com a Doutrina Truman na segunda metade do século XX, foi palco de grandes avanços tecnológicos. Nesse contexto, analisa-se o surgimento de novas relações sociais, bem como a necessidade de construir bons hábitos utilizando os progressos tecnológicos de maneira positiva. De forma contraditória a esse pensamento, é perceptível na sociedade brasileira a dificuldade de lidar com os paradigmas das novas tecnologias. Nesse sentido, urge o controle parental visando orientar os filhos sobre o uso saudável, contudo não ditatorialmente.

De acordo com Albert Einstein, físico alemão, o espírito humano precisa prevalecer sobre a tecnologia. Sob tal ótica, percebe-se a importância de que o uso das novas ferramentas seja feito conscientemente, de modo aos indivíduos dominarem os acessórios. Paralelamente, Pitágoras, filósofo e matemático grego, retrata a necessidade de educar as crianças para evitar castigar os adultos. Nessa perspectiva, o papel familiar no processo educacional do grupo juvenil é de extrema relevância. No entanto, isso não tem sido uma realidade, já que os pais se omitem da sua função, gerando relações prejudiciais entre crianças e tecnologias. Dessa maneira, infelizmente, os ideais de Einstein se tornam mera utopia e os progressos tecnológicos excedem os indivíduos.

Outrossim, nos estudos biológicos da Ecologia, a Hipótese de Gaia afirma que a terra é um organismo vivo autorregulador em busca da homeostase, porém as atividades antrópicas excessivas tendem a gerar desequilíbrios. Nesse viés, o controle parental serve como uma forma de intermediar a relação entre o grupo infanto-juvenil e as novas tecnologias, visto que quando não é feito o equilíbrio é quebrado. Por conseguinte, o desenvolvimento social e psicoemocional das crianças é afetado, além da recorrência de crimes, como o assédio digital, demonstrando que o meio virtual não é seguro.

Segundo Paulo Freire, filósofo e educador brasileiro, sem a educação uma sociedade não muda. Portanto, é necessário que o Ministério da Educação dissemine informações sobre os problemas do uso excessivo das novas tecnologias e das inseguranças digitais. Isso pode ser feito por meio de palestras nas escolas, com acompanhamento de psicólogos e participação dos pais juntamente com os alunos, ensinando como a família pode dar auxílio e preparar os filhos. Por outro lado, também, alertar as crianças para o dever da obediência e cuidados básicos de comunicação com os responsáveis por elas, para que seja desenvolvida uma relação benéfica entre as tecnologias e os indivíduos. Assim, os avanços tecnológicos serão impulsionados como na Guerra Fria, mas as pessoas lidarão melhor com as ferramentas.