Controle parental quanto ao uso da tecnologia: prevenção ou invasão à privacidade das crianças?

Enviada em 12/05/2020

Em diversos filmes e séries, retrata-se a superproteção dos pais em relação aos seus filhos. No filme “Enrolados”, por exemplo, uma bruxa mantinha uma princesa presa numa torre, alegando ser mãe da moça, com objetivo de protegê-la das ameaças externas. Diferentemente da ficção, famílias no século XXI utilizam a administração parental por aplicativos para monitorar o uso da internet pelos seus filhos. Cabe, a partir desse contexto, analisar os dois lados de tal vigilância para a possível elaboração de propostas para atenuar as consequências.

A princípio, a prevenção de crimes virtuais é um ponto positivo do monitoramento parental tecnológico. A liberdade dada pelos pais pode resultar problemas, afetando a convivência familiar. Isso, também, pode se relacionar a criminosos com acesso a rede, que fomentam abusos pela interação com menores. De acordo com pesquisas realizadas pelo Instituto Ipsos, em 2018, 29% dos pais brasileiros, relataram que os filhos já foram vítimas de violência online, o que torna o Brasil o segundo país do mundo onde as ofensas em meios digitais são frequentes.

Com a modernidade, a população cada vez mais vem tendo acesso a diversos temas. O exagero do controle sobre a tecnologia utilizada pelos jovens pode influenciar de forma negativa a privacidade do indivíduo. Já que, essa questão é um direito a todos, a falta de seu cumprimento é prejudicial ao próprio usuário e tal tema pode ser tratado como crime. As orientações do comportamento adequado são necessárias, para que os tópicos na internet sejam desfrutados de modo satisfatório, contribuindo para o desenvolvimento do cidadão e para a navegação de forma segura. Com isso, a vistoria de forma moderada, é necessária, a fim de evitar certos problemas às crianças.

Em suma, compreende-se a necessidade da fiscalização equilibrada das redes sociais dos jovens, visto que, existem temas inadequados na rede para certas idades. Ademais, o Ministério da Educação, Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações deve ser responsável pelo compartilhamento de informações e pelo aviso às famílias sobre os perigos da falta do monitoramento, bem como o excesso de tal atitude, feito por meio de projetos que mostrem ambos dos lados da supervisão. Cabe também à criança ser responsável pelos conteúdos de acesso seguro, e a conversa, como forma de prevenção, para que tenham sua segurança, privacidade e relação familiar mantidas, todas ao mesmo tempo.