Controle parental quanto ao uso da tecnologia: prevenção ou invasão à privacidade das crianças?
Enviada em 13/05/2020
Consoante o autor Hideraldo Montenegro, a internet é uma solidão dividida e uma fantasia compartilhada. Ao desmistificar a frase, entende-se que usuários da internet projetam um universo utópico na plataforma, sem malefícios . Entretanto, cabe ressaltar que há sim perigos no mundo virtual, enfrentados sobretudo por jovens, e esses riscos devem ser solucionados. As ameaças são causadas pelo pouco monitoramento dos pais, e manifestam-se ora por meio do vazamento de conteúdo sexual, ora por meio da publicação de informações privadas. Em primeira análise, pode-se dizer que não só a troca de fotos com conteúdo íntimo é normal entre os jovens, como também a divulgação delas. De acordo com a psicóloga e mestranda em psicologia clínica Priscila Lawrenz, esse tipo de exposição pode gerar uma série de consequências negativas na vida dos jovens. Ela afirma que o julgamento moral das outras pessoas, como familiares e amigos, pode levar ao isolamento e desencadear sintomas sérios de depressão e ansiedade. Logo, é indubitável que o monitoramento e esclarecimento ineficiente quanto à internet por parte dos pais fomentam uma série de problemas psicológicos nos filhos. Em segunda análise, é evidente que as pessoas seguem a cultura do exibicionismo e colocam dados pessoais nas redes sociais. Conforme a procuradora regional e coordenadora nacional do grupo de trabalho de enfrentamento aos crimes cibernéticos do Ministério Público Federal (MPF) Neide Cardoso, um aspecto que desperta preocupação das autoridades é a exposição voluntária de informações pessoais dos jovens. A exposição exacerbada de bens materiais na internet atrai criminosos, que além de visualizarem as fotos, conseguem informações relevantes para incorrer de atos ilegais contra a vítima. Portanto, infere-se que o controle do que é postado por jovens é fundamental. Em síntese, os pais devem impor limites aos seus filhos a respeito de relações cibernéticas. Assim sendo, os responsáveis das crianças, por intermédio do acompanhamento psicológico regular, devem estabelecer diálogos que esclareçam aos jovens os perigos da internet, bem como que imponham limites ao seu uso. Ademais, cabe às grandes empresas relacionadas à internet, tais como Facebook e Instagram, promoverem a segurança em redes sociais mediante políticas que instituam maior monitoramento destas. Desse modo, crianças e adolescentes serão menos expostos e terão interesse por outras alternativas de lazer, como música e atividades físicas.