Controle parental quanto ao uso da tecnologia: prevenção ou invasão à privacidade das crianças?

Enviada em 12/05/2020

A tecnologia, e, consequentemente a internet, está cada vez mais e mais cedo fazendo parte do nosso dia a dia; de acordo com o Comitê Gestor da Internet (GCI), 24,3 milhões de crianças e adolescentes entre 9 e 17 anos acessam a internet só no Brasil, e que quase 300 milhões em todo o mundo estão envolvidas com ciber-riscos. É imprescindível que os pais acompanhem de perto o tipo de conteúdo que seus filhos estão tendo acesso, tal fato merece mais atenção dos pais e da sociedade brasileira, assim, convém analisarmos as principais consequências e possível solução para esse impasse.

Uma pesquisa da TIC Kids Online Brasil descobriu que 77% das crianças e adolescentes entre 9 e 17 anos têm permissão para assistir a vídeos e filmes online desacompanhados, e que 41% das crianças de 6 anos que usam a internet também não possui nenhuma supervisão. Estudos mostraram que crianças e adolescentes foram vítimas de cyberbullying, conversaram com estranhos e tiveram contato com assuntos impróprios para a idade. Além disso, as crianças gastam em média 32 horas semanais sozinhas em frente a telas digitais, o tempo demasiado da tela pode deixar as crianças agressivas e solitárias, como também prejudicar o sono e incapacitar a saúde física e mental.

Restrição inibi, mas não prepara, nos dias de hoje não podemos proibir o uso de internet, tendo em vista que também é uma forte ferramenta para pesquisas, estudos e informações, cabe aos pais ensinar como usar e alertar os riscos dela. Aplicativos como Family Link (do google) e Startup já existem para ajudar os pais e controlar o tempo de uso de celulares e computadores dos filhos e também a filtrar conteúdo. Assim, podemos parafrasear Zygmunt Bauman, filósofo e sociólogo polonês, que diz que “As redes sociais são muito uteis, oferecem serviços muitos prazerosos, mas são uma armadilha”.

E, torna-se evidente, portanto, que é necessário supervisionar crianças e adolescentes na internet, e que cabe ao Ministério da Educação informar, de maneira eficaz, a população brasileira, sobretudo os pais e as próprias crianças, sobre os riscos da falta de controle parental, por meio de campanhas e reuniões socioeducativas, realizadas em escolas, com profissionais capacitados na área, a fim de auxiliar os pais em como determinar os conteúdos acessados pelos filhos e, assim, reduzir as problemáticas que implicam nela.