Controle parental quanto ao uso da tecnologia: prevenção ou invasão à privacidade das crianças?

Enviada em 12/05/2020

Em um episódio da série britânica “Black Mirror” evidencia-se o uso de um dispositivo - denominado Arkangel - no qual é injetado no cérebro de uma menina (ainda criança) que permite aos pais ver todas as suas ações, assim tendo um controle maior sobre cada passo da mesma, porém, a trama não acaba como desejado, ocasionando um trauma irreversível na vida dessa personagem principal. Fora da ficção, é fato que o controle parental quanto ao uso da tecnologia tem suas contradições: a exposição excessiva dos filhos sem a fiscalização necessária dos pais pode abrir possibilidades para abusadores, além de que, para crianças, a conduta dos adultos para prevenir males - como casos de pedofilia - podem agravar ainda mais o conceito de como usar a internet.

Primeiramente, a ausência parental à orientação, no que concerne a admissão ao mundo virtual, expõe crianças aos efeitos no desenvolvimento psicológico e no aprendizado escolar. A esse respeito, o sociólogo Zygmunt Bauman apresentou em sua obra, “Modernidade Líquida”, os resultados de uma sociedade mergulhada na tecnologia, dentre eles, as relações interpessoais cada vez mais fragilizadas. Nesse contexto, com a liquidez informacional e o acesso instantâneo à internet, a criança e o adolescente ficam suscetíveis ao vício precoce, queda do rendimento escolar e o atraso na expansão do psicológico, prejudiciais à evolução da fala e do comportamento coletivo, de modo que o aumento no tempo de navegação na internet fomenta as problemáticas, evidente em pesquisa do Centro Regional de Estudos para o desenvolvimento da Sociedade da Informação, o que mostrou que 2 a cada 3 crianças com acesso a internet utilizam o meio mais de uma vez ao dia, excedendo o tempo ideal.

Seguidamente, é inerente o intermédio dos pais nos conteúdos acessados pelos filhos. Todavia, tais interferências devem ser realizadas de forma responsável, para que os limites da privacidade sejam respeitados. Conjuntamente, as orientações do comportamento adequado neste contexto são necessárias, para que os tópicos dispostos na internet sejam desfrutados de modo satisfatório, contribuindo positivamente no desenvolvimento do cidadão, e de fato, a navegação ocorra de forma segura.

Fica vidente, portanto, que a supervisão dos pais é imprescindível para a dignidade e bem-estar da criança. Nesse sentido, faz-se necessário que o Governo, por meio do Ministério da Justiça, incentive o monitoramento dos pais, proporcionando palestras gratuitas e distribuindo manuais resumidos, e crie um sistema federal de combate a pedofilia, integrando as polícias civil e militar, para que a integridade das crianças seja preservada ao máximo possível. Só assim, nossas crianças se desenvolverão plenamente