Controle parental quanto ao uso da tecnologia: prevenção ou invasão à privacidade das crianças?
Enviada em 12/05/2020
Em um episódio da série britânica “Black Mirror” evidencia-se o uso de um dispositivo - denominado Arkangel - no qual é injetado no cérebro de uma menina, ainda criança, que permite aos pais ver todas as suas ações, assim tendo um controle maior sobre cada passo da mesma, porém, a trama não acaba como desejado, ocasionando um trauma irreversível na vida dessa personagem principal. Fora da ficção, é fato que o controle parental quanto ao uso da tecnologia tem suas contradições: a exposição excessiva dos filhos sem a fiscalização necessária dos pais pode abrir possibilidades para abusadores, além de que, para crianças, a conduta dos adultos para prevenir males, como casos de pedofilia, podem agravar ainda mais o conceito de como os pais monitoram o uso da internet.
Mormente, a intervenção paterna e materna na vida dos seus filhos é de suma importância. Visto que, segundo o filósofo do século XVII, John Locke, o indivíduo nasce como uma folha em branco e se forma a partir de suas convivências, sendo assim, os pais precisam prevenir que suas crianças consumam conteúdos impróprios para a sua faixa etária, pois isso pode afetar diretamente a saúde física e mental delas. Nesse sentido, é inadmissível que os responsáveis permaneçam inertes perante tal situação.
Em segunda análise, o aumento da manipulação infantil no Brasil é um legado dessa escassez do controle parental. Nesse contexto, de acordo com pesquisa publicada pelo portal de notícias G1, o número de pedofilia pela internet aumentou cerca de 50% nos últimos anos, em decorrência da falta de atenção dos familiares no que se refere às comunicações feitas pelas crianças nos meios tecnológicos. Fato esse que favorece a ação de pedófilos, que se passam por jovens e as atraem com mais facilidade.
Em suma, a restrição de determinados sites, por exemplo, é uma medida eficiente para restringir o acesso a conteúdos indesejados. No entanto, instruções sobre a maneira correta de se comportar na internet deve ser prioridade. Ademais, o Governo Federal deve conscientizar a população através de palestras educacionais alertando os possíveis danos ao mau uso da tecnologia por menores, e orientar a importância da fiscalização remediada realizada pelos responsáveis, mas sem a invasão do mesmo, afim de evitar que situações de perigo para a criança não sejam replicadas, uma vez que os pais tem ciência sobre os riscos e alertam seus filhos.