Controle parental quanto ao uso da tecnologia: prevenção ou invasão à privacidade das crianças?

Enviada em 17/05/2020

O uso da internet vem se tornando parte cotidiano da população mundial cada vez mais. Cerca de 86% de crianças e adolescentes entre 9 e 17 anos são usuárias de internet no Brasil, de acordo com a pesquisa TIC Kids Online. Tendo esse alto percentual de jovens na internet, a preocupação dos pais em questão ao conteúdo consumido pelos respectivos filhos é algo pertinente na sociedade. O controle parental na internet é uma questão de extrema importância que deve ser discutido sobre seu papel e possíveis perigos que podem ser evitados com seu uso consciente.

A prevenção de crimes cibernéticos é o principal aspecto positivo da vigilância parental tecnológica. Isso porque, a modernidade da era digital, possibilitou o maior acesso de crianças nesses meios, e isso, atrelado aos criminosos com disponibilidade de internet, fomentaram abusos sexuais, por meio da interação, destes, com os menores. Logo, analisa-se a obrigatoriedade que os parentes mais próximos têm de visualizar, de forma parcial, o contato com a tecnologia dos jovens. Assim, nota-se que a diminuição da incidência de crimes virtuais está relacionada na forma como a família lida com a internet em sua casa.

Um corpo magro, atlético e torneado é sinônimo de beleza nos dias de hoje, o que faz com que grande parte das pessoas, principalmente mulheres, se sintam insatisfeitas com o próprio corpo. Essa insatisfação pode ser irrelevante ou seguir um caminho perigoso, recheado de loucuras para emagrecer. Os transtornos alimentares são mais sérios e comuns do que parecem, e podem levar até a morte. Anorexia e bulimia são os mais conhecidos e vão muito além de pular refeições ou forçar vomito depois das mesmas. Um sentimento de culpa, vergonha e inadequação se torna habitual e pode ser desenvolvido desde a primeira infância, principalmente pela influência das mídias sociais que vêm se tornando cada vez mais presente na vida de todos. “Desde os meus 12 anos, vivi como se fôssemos dois seres diferentes – ‘eu’ e ‘meu corpo’. Costumava me referir a ele como algo de que eu não gostava e não fazia parte de mim” diz a repórter Daiana Garbin que começou a desenvolver transtornos alimentares desde a adolescência. O controle dos pais em relação ao conteúdos digitais que influenciam a magreza, como dietas restritivas, fotos e comentários que podem afetar de diversas formas o emocional das crianças, é imensamente importante.

Diante disso, cabe ao MEC instaurar projetos didádicos que envolvam a comunidade alertando a importância do controle parental na internet e o seus limites. Dessa forma todos irão amadurecer seus pensamentos a respeito do tema e entender que além da segurança, depositar confiança, dar privacidade e ensinar os preceitos certos para as crianças é algo fundamental desde sempre.