Controle parental quanto ao uso da tecnologia: prevenção ou invasão à privacidade das crianças?

Enviada em 03/06/2020

Com a Revolução Científica dos séculos XX e XXI, impulsionada pela globalização e pelo avanço da ciência, a internet tornou-se um dos maiores e mais importantes meios de comunicação no mundo. Em um paralelo com a realidade, a ausência do controle parental quanto ao uso da tecnologia pelas crianças é um problema nacional, uma vez que atinge majoritariamente o crescimento infantil. Assim, faz-se profícuo observar a educação brasileira que não normaliza o controle digital, ação que resulta em um desenvolvimento precoce da mentalidade de menores devido certos conteúdos.

Em primeiro plano, é importante evidenciar a obra cinematográfica “Confiar”, dirigida pelo ator americano David Schwimmer, que retrata o envolvimento -sem o controle dos pais- de uma jovem com sites de relacionamentos, ação que acarretou problemas psicológicos permanentes para o crescimento da garota. Nesse contexto, o enredo proposto por Schwimmer é observado no Brasil, uma vez que o controle dos pais acerca do uso da internet para seus filhos, como formar de propor um ambiente mais saudável para os menores, é pouco normalizado na sociedade brasileira. Essa infeliz esfera ocorre devido uma valorização excessiva, por parte dos pais, com tópicos considerados mais relevantes -como a educação alimentícia-, que acabam tratando como não importante a educação digital.

Em segundo plano, vale destacar o sociólogo espanhol Manuel Castells, na obra “A Era da Informação”, que afirma que as tecnologias de informação e de comunicação -sobretudo com uso da internet- tornam-se cada vez mais determinantes nas relações interpessoais. Sob esse viés, a analogia do sociólogo é comprovada, na medida em que crianças possuem sua infância modificada devido um contato digital sem controle. Mergulhando nessa ótica, graças à falta de monitoramento parental, crianças permanecem com um acesso deliberado e precoce a sites destinados a jovens e adultos -como redes sociais e jornais online-, acarretando em um contato de pessoas com mentalidade ainda em formação à sites que expõem postagens adultas.

Portanto, fica evidente que medidas devem ser tomadas. Logo, as escolas brasileiras -importante meio para a moldagem do caráter de menores- devem, por meio de parcerias com os pais, desenvolver campanhas educacionais incentivando um controle parental acerca do acesso das crianças com os meios digitais, com o objetivo de questionar a a atual preocupação dos pais e aumentar o monitoramento do uso da internet por seus filhos. Consequentemente, o desenvolvimento precoce do caráter de menores será diminuído devido um novo contato digital saudável. Dessa forma, a situação ocorrida no filme “Confiar” não será observada.