Controle parental quanto ao uso da tecnologia: prevenção ou invasão à privacidade das crianças?
Enviada em 08/06/2020
No episódio “Arkangel”, da popular série Black Mirror, uma mãe super protetora decide implantar um chip no cérebro de sua filha para controlar, através de um aplicativo, tudo que a criança possa ver ou sentir. Assim como na ficção, famílias, no século XXI, utilizam de controles parentais para monitorar o uso da internet. Dessa forma, cabe, a partir desse contexto, analisar o aspecto positivo e o negativo a fim de formular soluções para amenizar duas consequências.
A priori, é válido salientar que, a prevenção de crimes cibernéticos, como o principal aspecto positivo da vigilância tecnológica por pais. Uma vez que, o desenvolvimento da era digital, possibilitou o maior acesso de crianças nesses meios, junto a maiores criminosos com disponibilidade de internet, que podem resultar em abusos sexuais, por meio da interação, destes, com os menores. Assim sendo, faz-se obrigatório os parentes mais próximos fiscalizarem, de forma parcial, o contato dos jovens com a tecnologia, já que a diminuição da incidência de crimes virtuais está relacionada na forma de como a família lida com esse meio na sua casa.
Por outro lado, o excesso de controle, sobre a tecnologia utilizada por jovens, pode influenciar, negativamente, a privacidade desse indivíduo, pois muitos dos controles que no início parecem ser muito úteis para os pais, acabam sendo invasivos para as crianças, o que termina causando uma reação contrária ao esperado. Em suma, a criança, em vez de se sentir protegida e contente, sente-se invadida e procura fugir desses controles. Contudo, é necessário a vistoria de forma moderada, a fim de evitar traumas nesses pré-adolescentes.
Portanto, é notório a necessidade de fiscalização equilibrada das redes sociais dos indivíduos para evitar possíveis violações. Dessa maneira, fica a cargo da mídia, por ser responsável pela distribuição de informações, alertar as famílias sobre o perigo do excesso de monitoramento, bem como da falta de tal atitude, por meio de documentários que mostrem esses dois lados, com o intuito de promover debates. Complementarmente, cabe a família a função de orientar, através do diálogo, com o intuito de conscientizar a criança dos riscos existentes na internet, informar como se proteger e, acima de tudo, passar confiança e tranquilidade para falar com os responsáveis sobre qualquer tipo de desconforto. Sabe-se que há muitos desafios a serem enfrentados, mas, para gerar criticidade a toda a sociedade acerca do controle parental, é possível transpor esses obstáculos.