Controle parental quanto ao uso da tecnologia: prevenção ou invasão à privacidade das crianças?

Enviada em 09/10/2020

Debate-se com frequência acerca do controle parental quanto ao uso de tecnologias, haja vista que para alguns é uma prevenção necessária e para outros é uma invasão de privacidade. No entanto, é notória a necessidade de monitoramento familiar nos anos de introdução a tecnologia, principalmente na primeira e segunda infância, mas muitas vezes essa proteção exacerbada que não visa a “independência virtual” das crianças,  e não os ensina a utilizar as ferramentas digitais adequadamente. Isso ocorre principalmente devido à falta de comunicação familiar. Além disso, a falta de uma educação digital que complemente o trabalho da família contribui para essa problemática. Por isso, o poder público e a família devem agir para mitigar essa situação.

Primeiramente, com o aumento da tecnologia, as crianças entram cada vez mais cedo no ciberespaço e sem um monitoramento adequado ficam suscetíveis a pessoas mal intencionadas e ao consumo de conteúdo impróprio, por isso faz-se necessário o controle parental, que é uma medida de precaução contra esses problemas. Entretanto, esse monitoramento sem uma comunicação familiar não prepara esses novos usuários para a “independência virtual”, fazendo com que mesmo quando adolescentes fiquem suscetíveis aos mesmos problemas. Isso é retratado no filme “Confiar”, de 2010, no qual a protagonista, mesmo adolescente, é vítima de pedofilia virtual após ganhar um computador de aniversário e não ser instruída de como se proteger de crimes virtuais.

Somado a isso, a falta de uma educação digital nas instituições de ensino que complemente o monitoramento familiar, é outro fator que colabora para esse problema. Isso se deve ao fato de que os educandos são ensinados a utilizar a tecnologia de forma adequada em prol do aprendizado, mas não a se proteger de crimes cibernéticos que é uma medida essencial principalmente para adolescentes que geralmente tem um monitoramento parental reduzido ficando passiveis a crimes como pedofilia. Segundo dados da Secretaria Estadual de Segurança Pública do Rio Grande do Sul, de 2019, os delitos relacionados à pedofilia representam 80% dos crimes virtuais no estado.

Assim sendo, é imprescindível que a Família, como instituição primaria de socialização, ensine aos jovens  como se proteger de crimes virtuais. Isso deve ocorrer por meio de conversas recorrentes sobre os perigos da internet, com a finalidade de desenvolver um indivíduo que não seja manipulado por transgressores. Ademais, o Ministério da Educação deve agir para conscientizar os jovens acerca dos problemas existentes no ambiente virtual. Para isso, é necessário a  introdução de uma educação digital nas instituições de ensino, que vise ensinar como utilizar as ferramentas e  alertar dos problemas do ciberespaço, com o objetivo de desenvolver o senso crítico dos usuários e conscientizá-los.