Controle parental quanto ao uso da tecnologia: prevenção ou invasão à privacidade das crianças?

Enviada em 15/07/2020

A Terceira Revolução Industrial trouxe um amplo acesso a tecnologia, e com isso, um mundo mais conectado virtualmente, tanto para a comunicação, quanto para o entretenimento. Porém, o uso deste benefício para crianças ainda é questionado, por ser um meio aberto também para malefícios. Com isso, é feita uma proteção pelos parentes que pode vir a ser exagerada, o que traz ainda mais pontos negativos  à criança, como sua invasão de privacidade. Desse modo, têm-se o desrespeito infantil e a influência na formação das vítimas.

Em princípio, o desrespeito às crianças pela superproteção dos parentes é um fato, já que elas terminam não possuindo a privacidade necessária para realizar seus afazeres no meio virtual, não se sentindo, desse modo, protegidas. Em relação a isso, em um episódio da temporada quatro de Black Mirror, uma mãe preocupada com a segurança da  filha, implanta um chip no cérebro dela para controlar o que ela ver e sente, através de um aplicativo. Além disso, a socióloga Hannah Arendt no seu conceito de banalidade do mal, informa que uma atitude agressiva feita constantemente, para de ser vista como errada. Assim, a violação da intimidade tecnológica, está sendo cada vez mais comum e mais aceita pela sociedade, sendo um mal ainda maior para as vítimas que não conseguem assistência facilmente sobre o caso.

Ademais, o controle demasiado da tecnologia influencia na formação das crianças. De acordo com John Locke, em sua expressão “Tábula rasa”,  o ser humano é uma folha em branco que é preenchida por suas influências e suas experiências. Com isso, a partir do momento que elas veem seus parentes controlando, vigiando e assim invadindo suas privacidades no ambiente tecnológico, podem distorcer suas visões da realidade, tornando-as, futuramente, adultos controladores.

Diante do exposto, para amenizar o impasse é essencial que o governo, como instância máxima de administração executiva, informe aos responsáveis de crianças sobre a violação da vida particular delas por meio do controle exagerado em seus usos e a  forma adequada de preveni-las dos malefícios que a tecnologia pode causar, por meio de palestras em escolas e teatros das cidades. À vista disso, tem como finalidade  enfatizar que a invasão de privacidade não pode ser aceita e nem vista como algo comum na sociedade, conscientizar eles sobre os efeitos que ela pode causar na formação dos indivíduos e ainda, como protege-las de forma proveitosa e amigável. Só assim, o país poderá evoluir.