Controle parental quanto ao uso da tecnologia: prevenção ou invasão à privacidade das crianças?
Enviada em 22/07/2020
Observa-se que muitas discussões têm ocorrido acerca do controle parental quanto ao uso da tecnologia, visto que, apesar de muitos acharem ser invasão de privacidade, os pais estão apenas prevenindo seus filhos de situações nefastas. Isso é evidente devido ao sequestro e, também, à pedofilia, mostrando a necessidade de soluções.
Segundo o filósofo John Locke, quando se nasce, a mente é uma página em branco, tábula rasa, que a experiência vai preenchendo. Dessa forma, é possível corroborar a ideia da fiscalização da internet como uma cautela para que não ocorra, por exemplo, sequestros. A monitoração pode ocorrer por meio do compartilhamento das senhas das redes sociais dos filhos com seus responsáveis, para que estes olhem os conteúdos acessados e conversas, evitando possíveis oportunistas. Na falta de supervisão, pode ocorrer consequências, tal qual a extorsão de dinheiro da família mediante o sequestro.
Em consonância a isso, a filósofa Hannah Arendt – em sua tese “Banalidade do Mal” – evidencia que há a trivialidade da maldade, ou seja, a naturalização de diversos males. Isso corresponde, para Arendt, ao vazio do pensamento, momento em que o mal se instala, por exemplo, na ampla liberdade dada as crianças nas mídias sociais, com acesso ilimitado e sem controle de um adulto. Nesse sentido, pode haver pessoas que se passam por outras e enganam esses jovens para conseguirem abusá-los sexualmente, praticando a pedofilia.
É necessário, portanto, que o Governo, em específico a Secretaria Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente, crie políticas mais rigorosas que impedirão conteúdos inadequados para menores de idade. Essa ação será feita por meio de campanhas educacionais para os responsáveis, expondo as consequências da falta de administração do uso da tecnologia pelos filhos. Nesse sentido, isso tem o intuito não somente de remediar os sequestros, mas também a pedofilia, que ocorre mediante a persuasão das crianças, que são vulneráveis nesse ambiente tecnológico.