Controle parental quanto ao uso da tecnologia: prevenção ou invasão à privacidade das crianças?

Enviada em 27/07/2020

O mundo pós Revolução Industrial mostra uma sociedade em que a tecnologia faz parte do dia a dia de adultos e até mesmo de crianças. Nesse contexto, o controle parental para proteger os indivíduos menores de assuntos indevidos apresenta um dilema: apesar de ser usado para a prevenção, acaba, muitas vezes, invadindo a privacidade das crianças, gerando problemas como a curiosidade excessiva e a insegurança nesses indivíduos.

A priori, vale ressaltar que a curiosidade pelo desconhecido é uma ideia inata ao homem, que é intensificada pela proibição de algo. A título de exemplo, na história infantil de Rapunzel, a menina que cresceu presa em uma torre para sua proteção, é tomada pela curiosidade de ver o mundo e foge com estranho na primeira oportunidade. Dessa forma, a proibição de ver coisas na internet incita a curiosidade da criança que tentará olhar mesmo assim.

Outrossim, o controle parental pode virar uma forma de superproteção, ato que levar a criança a ser insegura. Nessa perspectiva, a psicóloga Maria José Soler, da Universidade Autônoma de Madrid, ratifica essa ideia, dizendo que a superproteção chega a ser uma forma de mau trato infantil, como se os pais dissessem sempre aos filhos que eles são incapazes. Dessa maneira, as crianças crescem cercadas de insegurança por não se acharem capazes de decidir as coisas por elas próprias.

É inegável, portanto, a necessidade de avaliar até que ponto controle parental quanto ao uso da tecnologia não causa danos aos indivíduos. Assim sendo, cabe às famílias, em parceria com o Ministério da Educação, instruir as crianças sobre o que se pode fazer com a tecnologia e o que não se pode, por meio de diálogos constantes e aulas sobre o assunto, a fim de ensinar o correto e os perigos que circundam esse meio, para que a própria criança tenha a decisão de evitar coisas inadequadas. Desse modo, os menores poderão aproveitar essa inovação que a Revolução Industrial trouxe sem correr riscos.