Controle parental quanto ao uso da tecnologia: prevenção ou invasão à privacidade das crianças?

Enviada em 30/07/2020

Segundo o filósofo Aristóteles, uma pessoa ética e feliz é aquela que age sem exageros na vida. À vista disso, atualmente, a questão do uso excessivo das tecnologias na infância ganhou repercussão quando se trata sobre a ideia de controle parental quanto ao uso dos aparelhos tecnológicos. Tal medida deve ser considerada como uma forma de prevenção ao desenvolvimento dos jovens, já que a utilização excedente dos eletrônicos causa vício em jogos e acarreta problemas emocionais e de saúde para as crianças.

Em primeira análise, a utilização excessiva dos aparelhos tecnológicos é um grande fator para o desenvolvimento de vício em jogos durante a infância. Tal afirmação é exemplificada com a série Malhação: viva a diferença, que demonstra a situação de Julinho, irmão da protagonista Benedita, relatando que o menino faz o uso exagerado dos eletrônicos, sobretudo para jogar. Verifica-se, portanto, que muitas crianças passam a se viciar em jogos devido ao contato rotineiro com computador ou celular. Embora muitos responsáveis tenham consciência de tal fato, medidas de controle parental como limitação de horário e fiscalização de acesso não são providenciadas para impedir esse vício.

Além disso, a utilização excedente dos eletrônicos na infância acarreta problemas emocionais e de saúde. Segundo Laura Granado, professora de psicologia da São Judas, o fato das crianças preferirem as tecnologias do que brincarem de amarelinha e esconde-esconde pode afetar o progresso psicomotor e até a criatividade. Em decorrência disso, muitos jovens não aprendem a lidar com frustrações e derrotas, já que as brincadeiras citadas estão relacionadas com o desenvolvimento emocional. Conquanto muitos especialistas da área psicológica informem aos responsáveis que o uso excessivo dos computadores é maléfico para a saúde de seus filhos, não são estabelecidas formas de controle parental quanto à utilização correta dos aparelhos.

Dessa forma, é imprescindível que sejam fundamentadas medidas de controle parental que revertam o quadro da utilização exagerada de tecnologia na infância. Para isso, cabe às famílias administrarem e fiscalizarem o manuseio dos eletrônicos dos filhos, por meio da limitação de horários que permitam o uso, para que as crianças não se tornem dependentes desses aparelhos. Assim, dificultará o desenvolvimento de vício em jogos. Ademais, cabe ao Ministério da Saúde juntamente com os veículos midiáticos informarem aos responsáveis sobre os malefícios adquiridos pela manipulação excessiva de computadores, por intermédio de propagandas, para que a população se torne consciente. Consequentemente, os jovens terão uma formação socioemocional bem desenvolvida.