Controle parental quanto ao uso da tecnologia: prevenção ou invasão à privacidade das crianças?
Enviada em 20/09/2020
Para a Sociedade Brasileira de Psiquiatra, o uso das tecnologias tem influenciado o comportamento das crianças e adolescentes, tornando-os cada vez mais hiperestimulados por padrões de consumo. Entretanto, não é só isso que tem preocupado os pais e autoridades de saúde nessa temática, pois também surge o problema da grave exposição dos jovens e a consequente perda da privacidade, por meio das redes sociais e internet. Diante disso, é importante discutir a importância do papel parental e da educação no uso das tecnologias, além da falta da orientação e o impacto na privacidade das crianças.
Segundo Emilé Durkheim, a família é a primeira Instituição social que as crianças têm contato e ela é responsável pela base do desenvolvimento do ser enquanto parte da sociedade. Nesse sentido, percebe-se que a educação parental ensina, por exemplo, sobre os limites entre o indivíduo e o coletivo e essa diferenciação é de extrema importância, principalmente na era da internet, para a manutenção da privacidade das crianças que possuem pouca maturidade no uso da tecnologia. Isso é evidenciado, por exemplo, em uma pesquisa da Universidade Jonh Hopkins, a qual demonstra que crianças com ausência parental tendem a se expor e usar mais a internet em comparação as crianças que tem um acompanhamento parental.
Entretanto, por vezes, os pais também não apresentam maturidade para usar as redes sociais e não educam adequadamente as crianças, além de invadir e expor a privacidade dos pequenos. Isso porque, ainda existe uma dificuldade para a orientação dos pais quanto a essa temática. Tal fato é comprovado, conforme dados de uma pesqusia britânica veiculada pela BBC News, os quais apontam que uma criança de 5 anos possui, em média, mil fotos publicadas nos perfis de seus familiares. Além disso, ao tomar como base a Sociedade Brasileira de Pediatria, a qual aponta que a interferência da internet tem alterado as relações familiares e o bem-estar infantil, por meio de problemas como o cyberbullyng, fica evidente a importância da educação e conscientização dos pais sobre o uso da tecnologia, além do controle do uso que as crianças fazem dessa.
Torna-se claro, portanto, que a educação é de extrema importância para a manutenção do bem-estar e da privacidade infantil. Por isso, é importante que o Ministério da Educação crie campanhas e programas que estimulem e levem aos pais orientação sobre o uso das tecnologias e como ensinar os filhos a usá-la adequadamente. Tal ação deve ocorrer por meio de cursos online, sobre a temática da educação infantil e debates nas redes sociais e também por campanhas nas mídias sociais, utilizando a linguagem apelativa, para, dessa forma, diminuir a impacto negativo da tecnologia na qualidade de vida das crianças.