Controle parental quanto ao uso da tecnologia: prevenção ou invasão à privacidade das crianças?

Enviada em 20/09/2020

Segundo o filósofo Aristóteles, os hábitos bons são chamados de virtudes, pois elas sempre se encontram em equilíbrio, ou seja, evitando os seus extremos: a falta e o excesso. Dentre esses hábitos pode-se encontrar o controle dos pais sobre o uso de tecnologia pelas crianças, visto que, no panorama contemporâneo, os menores estão cada vez mais ligados as redes sociais, e a falta ou o excesso dessa supervisão parental pode representar um risco para as crianças e suas famílias.

Mormente, cabe abordar que sem a proteção parental tecnológica os menores estarão mais expostos à crimes cibernéticos. Pois com o fim da Guerra Fria, a tecnologia de informação estar cada vez mais abrangente no mundo, possibilitando também as crianças terem maior acesso à internet. Outrossim, pessoas mal intencionadas veem isso como uma oportunidade para, através da interação com os menores pelas redes sociais, utilizar a inocência destes para praticar, por exemplo, pedofilia, roubo de informações pessoais para fins ilícitos e dentre outros. Dessa forma, faz-se necessário a supervisão dos pais quanto ao uso tecnológico das crianças, mas de forma a não ser invasiva a privacidade delas.

Ademais, vale salientar o excesso de controle dos pais sobre o uso tecnológico dos menores pode apresentar resultados negativos à privacidade deles, ocasionando mais impasses. Conforme o escritor brasileiro, Augusto Cury, “Sem liberdade, o ser humano deprime, asfixia, perde o sentido existencial. Sem liberdade, ou ele se destrói ou destrói os outros”. De maneira análoga, embora existam meios de proteção para as crianças na internet, como aplicativos especializados para a segurança delas, os pais devem reconhecer o limite entre segurança e invasão, para que não ocorra o sentimento de repulsa dos jovens para com seus familiares, podendo, por conseguinte, infringir os limites estabelecidos por suas famílias, tornando-se expostos aos perigos digitais.

Portanto, é imprescindível a mitigação para que o controle parental quanto ao uso de tecnologia se torne um aliado para proteção das crianças de forma equilibrada. Desse modo, é dever do Ministério da Educação, implementar um projeto nomeado de “Navegação Segura”, o qual terá função de alertar os pais sobre os riscos da internet às crianças, bem como, em conscientizá-los a estabelecer métodos moderados para supervisão do que os menores acessam - como monitoramento uma vez por semana -, além de ensinar os menores a evitar certas ações perigosas, como conversar com estranhos nas redes sociais. Tais ações são viáveis por meio da difusão de informação nas mídias televisivas, além da realização de debates e palestras nas escolas de redes públicas e privadas, visando garantir uma navegação segura das crianças na internet.