Controle parental quanto ao uso da tecnologia: prevenção ou invasão à privacidade das crianças?
Enviada em 15/10/2020
Observa-se que muitas discussões têm ocorrido acerca do controle parental quanto ao uso da tecnologia, visto que, apesar de muitos acharem ser invasão de privacidade, os pais estão apenas prevenindo seus filhos de situações nefastas. Gradativamente, esse contexto é preconizado pela busca da segurança informacional. Porém, infelizmente, a falta de debates acerca do modo de como fazer tal controle é uma realidade na contemporaneidade.
É valido ressaltar, a princípio, que a busca pela segurança informacional colabora para que haja o controle parental quanto ao uso da tecnologia, mas essa atitude não é feita de forma eficaz. Por conseguinte, com a chegada da indústria 4.0 – tecnologia para automação e troca de dados – a facilidade das conexões existentes, no meio virtual, permite com que usuários mal-intencionados consigam informações pessoais, por meio de conversas “on-line”, com os jovens. Tal situação é comprovada pelo aumento nos casos de pedofilia, nas redes sociais, após a ascensão do meio técnico-científico-informacional. Nesse sentido, convém ressaltar que a situação é agravada pela mudança no ritmo de vida populacional, que se tornou mais acelerado, conforme explicita a jornalista Eliane Brum em seu texto “exaustos e correndo e dopados”, na qual afirma que os indivíduos estão trabalhando 24 horas por 7 dias na semana, não tendo tempo para o cuidado familiar, o que afeta, portanto, à integridade psicológica dos jovens que se sentem inseguros nos meios virtuais.
Outrossim, é imperativo pontuar que a falta de debates em escolas acerca da instrução do controle parental contribui para permanência da dubiedade informacional. Isso decorre, principalmente, pela falta de campanhas em relação ao “cyberbullying e aos jogos que colocam em risco a vida do participante, como foi o caso da “Baleia Azul”, contudo, infelizmente, esses casos se tornaram corriqueiros, todavia existem poucas medidas para o combate a tais situações. Em consonância a isso, segundo a filósofa Hannah Arendt, em sua tese “Banalidade do Mal”, afirma-se que a falta de reflexão de determinados assuntos leva a sua normalização, como é o caso da insegurança nos meios digitais. Consequentemente, a prevenção parental é dificultada pela falta de meios instrucionais que garantem o estudo adequado sobre as medidas que asseguram à prevenção familiar.
É necessário, portanto, que o Ministério da Educação, aliado à mídia, promova campanhas educativas para reverter tal problemática. Essa ação será realizada por meio de palestras, tanto no meio físico como no meio cibernético, com especialistas em segurança informacional, os quais irão debater sobre a importância da prevenção parental no meio tecnológico. Essa medida proporcionará meios instrucionais para que o cuidado dos pais com os filhos na internet seja feito de forma eficaz.