Controle parental quanto ao uso da tecnologia: prevenção ou invasão à privacidade das crianças?

Enviada em 03/11/2020

Observa-se que têm ocorrido discussões acerca do controle parental durante ao uso da tecnologia e como isso pode ser uma forma de prevenção à violência e, também, uma invasão à privacidade das crianças. Essa situação ocorre devido às leis que não são efetivas e ao individualismo da sociedade. Dessa maneira, medidas devem ser tomadas para sanar tal mazela.

Conforme no livro: “O Cidadão de Papel”, a denúncia social aceca da ineficácia das leis é feita pelo autor Gilberto Dimenstein. Este, então, retrata o distanciamento de leis, como o Estatuto da Criança  e do Adolescente (ECD) e a Constituição Federal (C.F), os quais, muitas vezes, são assegurados apenas no papel, ou seja, somente na teoria. Dessa forma, o controle parental durante o uso da tecnologia previne que indivíduos, por exemplo, estupradores e agressores violentem crianças. Isso ocorre, devido ao descaso do Estado, o qual não possui políticas eficazes no meio cibernético que assegurem às crianças seus direitos. Por consequência, tal situação sobrecarrega os pais, os quais trabalham o dia todo e não conseguem ter total controle dos adolescentes perante ao meio virtual, o que distancia isso dos direitos afirmados pela C.F e ECD, como segurança e liberdade a todos.

Segundo o sociólogo Zygmunt Bauman - as relações atuais - consideradas pelo autor uma modernidade líquida - possuem laços fragmentados, isto é, são marcadas pela individualidade e pela falta de altruísmo. A exemplo tem-se o controle parental no que se refere ao uso da tecnologia e como isso pode invadir a privacidade das crianças. Assim, tal situação pode ser retratada quando os pais controlam muito seus filhos e não conseguem conciliar a privacidade destes com a responsabilidade como pais. Devido a isso, muitos filhos não conseguem ter uma relação saudável e, por isso, procuram outros meios, mentindo, para acessar redes sociais, sites de jogos e, até mesmo, de relacionamentos, o que elucida a necessidade de mudanças.

É preciso, portanto, que o Estado em consonância com os poderes Executivo, Legislativo e Judiciário fiscalizem, sancionem e executem as leis já existentes para sanar tal mazela. Por isso, estes devem investir em programas, os quais ensinem os pais os benefícios e os malefícios do controle parental durante o uso da tecnologia. Isso deve ser feito por meio de campanhas públicas no meio virtual, as  quais irão incentivar o senso crítico e altruísmo da população perante os seus direitos e como os pais podem conciliar  privacidade com a segurança dos seus filhos. Logo, tal ação terá a finalidade de assegurar, finalmente, as benesses básicas, as quais são afirmadas pela C.F e a ECD, a fim de contrapor  visão de Bauman e diminuir, severamente, a ineficácia das leis e o individualismo da sociedade