Controle parental quanto ao uso da tecnologia: prevenção ou invasão à privacidade das crianças?
Enviada em 18/11/2020
Observa-se que muitas discussões têm ocorrido acerca do controle parental quanto ao uso da tecnologia frente às crianças. Nesse sentido, de acordo com o sociólogo Pierre Bourdieu -em sua teoria do Habitus-, o ser social possui e tendência de internalizar e refletir a realidade à qual é submetido. Logo, o controle excessivo sem diálogo e a velocidade das relações interpessoais na contemporaneidade evidenciam a necessidade de superar esses entraves.
Em primeiro lugar é importante ressaltar que o controle excessivo sem diálogo com as crianças pode gerar uma ideia contraproducente no quesito privação de conteúdo. Nesse contexto, o filósofo Jhon Locke, define esses jovens como uma tabula rasa, a qual à medida que têm contato com o mundo, adquirem informações sobre ele e as internalizam. Dessa maneira, os pais, ao simplesmente privar seus filhos de consumir determinado conteúdo, despertam neles, um interesse pelo desconhecido, pois eles anseiam pelo conhecimento. Assim, é fundamental que o controle parental seja feito, porém, explicitando às crianças o sentido de limitar esses conteúdos, ao apontar os males que cercam o universo tecnológico, para consumi-los na idade adequada. Por fim, torna-se primordial remediar essa mazela.
Em segundo lugar, é essencial destacar a velocidade das relações interpessoais na contemporaneidade. Nessa conjuntura, o texto da jornalista Eliane Brum “Exaustos Correndo e dopados’’, aborda o tema ao concluir que os indivíduos estão cada vez mais a exercer atividades relacionadas ao trabalho e, por isso, dopam-se para executá-las, mesmo ao estarem cansados. Dessa forma, o sociólogo Pierre Bourdieu -em sua teoria do Habitus- revela que o ser social possui a tendência de refletir tal realidade e, assim, reproduzir essa sociedade do cansaço. Nesse aspecto, os pais não possuem tempo suficiente para averiguar o conteúdo acessado pelos filhos na internet, deixando-os expostos a atividades de pedófilos e a conteúdos não adequados para determinada faixa etária, sendo de suma importância combater esse entrave.
Portanto, em face dos argumentos apresentados depreende-se a necessidade do Poder Público -aliado às suas secretarias- planejar de forma efetiva a distribuição de verbas no setor da educação, em prol de erradicar os entraves relacionados ao controle parental quanto ao uso da tecnologia frente às crianças. Isso será alcançado, por meio de investimentos sólidos em instituições especializadas na gestão de recursos financeiros e na administração de interesses públicos, a fim de preservar esses jovens contra os males que os cercam na internet e evitar a reprodução do Habitus ruim.