Controle parental quanto ao uso da tecnologia: prevenção ou invasão à privacidade das crianças?

Enviada em 17/03/2021

A Terceira Revolução Industrial suscitou profundas mudanças na sociedade, principalmente, com o advento da tecnologia e da internet. Na atualidade, tais fatores ainda influenciam de maneira significativa o cotidiano das pessoas, porém muitos indivíduos, especialmente os jovens, estão sujeitos a ataques de hackers e pedófilos no meio digital, colocando a necessidade do uso do controle parental. Com isso, a falta da supervisão dos pais para prevenir seus filhos de qualquer hostilidade nas redes é um grave problema, que ocorre pela omissão midiática e pelo vício das redes no meio familiar.

Primeiramente, a omissão midiática é um dos principais motivadores do impasse. Nesse aspecto, Pierre Bordieu diz que a mídia não está sendo utilizada como ferramenta democrática, mas sim como opressão simbólica. Tal afirmação é coerente com o entrave, uma vez que a falta de repercussão nos grandes veículos da imprensa sobre esses casos gera a desinformação no núcleo familiar e reforça o estereótipo de que as redes são locais seguros e saudáveis para qualquer indíviduo usar, e isso é péssimo, pois os menores de idade vão ficar mais suscetíveis aos abusos e tentativas roubo de informações, deixando bastante clara que as mídias se preocupam mais com os seus interesses do que prezar por uma atitude que pode auxiliar na proteção dos adolescentes e das crianças.

Além disso, o vício na internet no âmbito familiar também deve ser considerado. Nesse sentido, segundo Zygmunt Bauman, a modernidade líquida fez com que tenha uma liquidez nas relações sociais. Dessa maneira, isso tem ocorrido nas famílias, já que os pais estão cada vez mais atrelados às redes sociais e isso tem desgastado as suas relações com os seus filhos, gerando pouca preocupação com o contato dos jovens e os usuários da web, além de os afetar de diversas formas no meio social, como em sua sociabilidade e formação quanto cidadão.

Logo, o controle parental como forma de prevenção deve ser valorizada. Para intervir, a mídia, órgão que atinge as massas, deve abordar mais esse assunto, através da ficção engajada e de debates, para que os pais não fiquem mais desinformados e protejam seus filhos. Ademais, a família, primeiro grupo social que os indivíduos tem contato, deve estipular o tempo de navegação na internet e estimular o diálogo, por meio de dinâmicas familiares, para que não tenha liquidez nas relações familiares e uma maior proteção das crianças e adolescentes. Só assim, a Terceria Revolução Industrial será lembrada como algo positivo.