Controle parental quanto ao uso da tecnologia: prevenção ou invasão à privacidade das crianças?
Enviada em 21/05/2021
No filme “Rapunzel”, a bruxa aprisionava a personagem principal na torre, alegando ser a mãe da protagonista, com a intenção de protegê-la dos perigos do mundo. Em contradição com a ficção, famílias, no século XXI, utilizam de controles parentais por meio de aplicativos instalados nos celulares para monitorar o uso da internet, e seus desdobramentos, pelos seus filhos. Assim, cabe, a partir desse contexto, analisar o lado positivo e o negativo de tal vigilância para que seja possível formular propostas para amenizar duas consequências.
Primeiramente, pontua-se, a prevenção de crimes virtuais, como o principal aspecto positivo da vigilância parental tecnológica. Isso porque, a modernidade da era digital, possibilitou o maior acesso de crianças nesses meios, e isso, atrelado aos criminosos com disponibilidade de internet, fomentaram abusos sexuais, por meio da interação, destes, com os menores. Logo, analisa-se a obrigatoriedade que os parentes mais próximos têm de visualizar, de forma parcial, o contato com a tecnologia dos jovens.
Ressalta-se, ainda, como o excesso de controle, sobre a tecnologia utilizada pelos jovens, pode influenciar negativamente a privacidade desse indivíduo. Visto que esse seja um princípio comum e de direito a todos os cidadãos, a falta de seu cumprimento, além de crime, é prejudicial ao próprio usuário. Tal questão, de acordo com os princípios de Maquiavel, em que, “os fins justificam os meios”, podem ser tratadas como uma consequência da vigilância feita. Contudo, é necessário a vistoria de forma moderada, a fim de evitar traumas psicológicos nesses pré-adolescentes.
Compreende-se, portanto, a necessidade de fiscalização equilibrada das redes sociais dos jovens para evitar possíveis problemáticas. Assim, cabe a mídia, por ser responsável pela distribuição de informações, alertar as famílias sobre os perigos do excesso de monitoramento, bem como da falta de tal atitude, por meio de documentários e entrevistas que mostrem esses dois lados, como forma de promover possíveis debates. Isso, atrelada a família, com a função de orientar, que tem a responsabilidade de monitorar, pelo menos uma vez por semana, até que a criança tenha consciência dos riscos, utilizando, além disso, a conversa como forma de prevenção, sempre respeitando os limites do supervisionamento, para que, diferentemente da realidade vivida por Rapunzel, os jovens tenham sua segurança e privacidade zelada, ao mesmo tempo.