Controle parental quanto ao uso da tecnologia: prevenção ou invasão à privacidade das crianças?
Enviada em 21/05/2021
Debate-se muito, correntemente, que a tecnologia vem tornando-se uma questão problemática quando se trata de crianças e adolescentes, visto que a internet é um ambiente muito aberto, propenso a situações de perigo quando não se tem cautela na proteção de dados e navegação, transformando esse ponto em específico como dever dos responsáveis do menor. Entretanto muitos pais utilizam desse fator como justificativa para invasão à privacidade do jovem, o que resulta na falta de confiança mútua dentro do relacionamento familiar.
Em consequência disso, vê-se, a todo instante que crianças e adolescentes buscam meios para navegar de forma anônima, ou até mesmo apagando seus dados de conversas e históricos, visto que cerca de 80% dos usuários da internet no Brasil, possuem idades entre 9 e 17 anos pelos dados divulgados pela TIC Kids. Tendo isso em mente, não só o acesso é maior como também o aprendizado, onde mesmo sendo uma forma de combater a invasão de privacidade, ainda torna-se um maior desafio quando se trata de prevenção e monitoramento digital dos responsáveis.
Por outro lado, muitos pais principalmente de adolescentes, buscam controlar a vida digital do menor, o que resulta na invasão de privacidade, tendo em mente que muitos monitoram suas conversas, sites de acesso, aplicativos que deve utilizar, etc. Para a criança acaba por não ser uma questão tão problemática, porém quando se trata dos jovens entre 13 e 17 anos, acaba por mudar de figura, visto que é comum com o passar do tempo, entender o conceito de privacidade e buscar por ela dentro de ambiente familiar.
Visto os fatos apresentados, é de extrema importância gerar debates em relação as diferenças entre as prevenções digitais e a invasão de privacidade, dado que ainda é algo comum em relacionamentos entre o jovem e seu responsável. Para que isso ocorra o órgão público deve divulgar formas de monitoramento segura sem a invadir a privacidade do menor, além de instruir os responsáveis por meio de palestras em ambientes de trabalho e escolares, tanto em reuniões quanto em auxílio com as formas de profilaxia. Para as crianças e adolescentes, é importante instruí-los a conversar com seu responsável, os informando de qualquer situação incômoda em ambiente digital, podendo abordar o tema em aulas de informática, eventos de conscientização desenvolvidos pela escola ou instituição ou até mesmo demonstrar o tema em comerciais infantis em televisão aberta, para assim poder criar não só um ambiente digital mais confortável para o menor, mas também um ambiente familiar de confiança.