Controle parental quanto ao uso da tecnologia: prevenção ou invasão à privacidade das crianças?
Enviada em 17/09/2021
Para Platão, filósofo grego da Antiguidade, a qualidade de vida ultrapassa a própria existência, pois, para ele, o importante não é viver, mas viver bem. Nesse viés, a completa e incontrolada exposição de crianças às tecnologias modernas, sobretudo no Brasil, representa um obstáculo ao estabelecimento desse ideal na vida dos pequenos, o que configura um grave problema social. Assim, faz-se necessário o debate acerca da necessidade de controle parental, bem como da importância do desenvolvimento da relação entre pais e filhos, no combate ao mau uso das ferramentas tecnológicas.
A princípio, é imperioso destacar que o controle parental sobre o uso de tecnlogias é imprescindível. De acordo com o Documentário “O dilema das redes”, as redes sociais são ambientes idealizados e projetados para reter a atenção do público e tornar as pessoas cada vez menos críticas e mais alienadas. Nesse sentido, é evidente que esse meio se torna extremamente perigoso para as crianças estarem, uma vez que, por não terem ainda o senso crítico bem desenvolvido, podem ser facilmente manipuladas e expostas a situações problemáticas. Prova disso são os inúmeros casos de golpes aplicados por pedófilos e criminosos mal intencionados. Desse modo, por questão de segurança, os pais devem estar presentes e atentos ao que os seus filhos estão fazendo no mundo digital.
Além disso, para auxiliar ainda mais as crianças na formação de bons hábitos quanto ao uso de tecnologias, é preciso que haja a construção de uma relação mais próxima entre pais e filhos. Nesse sentido, segundo Sigmund Freud, as experiências vividas na infância influenciarão o comportamento de um indivíduo por toda a vida. Sob tal ótica, entende-se que, mediante o diálogo e a proximidade, é possível obter, de forma saudável, informações sobre com quem se conversa, o que se faz na internet, além de estabelecer um vínculo de confiança, ao qual as crianças sempre irão recorrer, ainda que em idade mais avançada, caso ocorra alguma situação adversa. Consequentemente, os pequenos estarão mais protegidos de ataques criminosos, de conteúdo impróprio para a idade, como a pornografia e a violência, e desfrutarão de ótimas experiências na infância, aproveitando ao máximo todos os aspectos positivos trazidos pela tecnologia, o que os tornará, no futuro, adultos mais felizes e mais conscientes.
Portanto, de modo a prevenir as crianças do mau uso da internet e das tecnologias existentes, é fundamental que medidas de proteção sejam tomadas. Primeiramente, cabe aos pais ou responsáveis a fiscalização dos filhos por meio da utilização de aplicativos que proíbam o acesso a sites inadequados - os quais também devem fornecer um relatório das páginas acessadas- para que eles possam monitorar a atividade e verificar se há algo inadequado. Ademais, também compete aos pais o desenvolvimento de uma relação mais próxima com os filhos por meio do hábito de se conversar com frequência.