Controle parental quanto ao uso da tecnologia: prevenção ou invasão à privacidade das crianças?

Enviada em 28/09/2021

Na obra “Utopia”, do escritor inglês Thomas More, é retratada uma sociedade perfeita, na qual o corpo social padroniza-se pela ausência de conflitos e problemas. No entanto, o que se observa na realidade contemporânea é o oposto do que o autor prega, uma vez que o controle parental quanto ao uso da tecnologia pelas crianças apresenta barreiras, como qual dificultam a concretização dos planos de More. Esse cenário antagônico é fruto tanto da falta de investimentos, quanto da ausência de debate. Diante disso, torna-se fundamental a discussão desses aspectos, um fim do funcionamento da sociedade.

Precipuamente, é fulcral pontuar que a carência de investimentos deriva da baixa atuação dos governos governamentais, no que se refere à criação de mecanismos que coíbam tais recorrências. A filósofa alemã Hannah Arendt defende que o espaço público seja preservado para que se assegurem as condições da prática da liberdade e da manutenção da cidadania. Ou seja, sem uma infraestrutura pública, o cidadão é prejudicado. Esse aspecto está presente de maneira decisiva no que tange ao controle das tecnologias utilizadas pelas crianças, uma vez que há falta de investimento governamental em sua infraestrutura, o que acaba por dificultar sua resolução.

Ademais, é imperativo ressaltar a falta de debate como impulsionador do problema. Nesse sentido, Habermas traz uma contribuição relevante ao defensor que a linguagem é uma verdadeira forma de ação. Desse modo, para que um problema como o uso da tecnologia desenfreado pelas crianças seja resolvido, faz-se necessário debater sobre. No entanto, percebe-se uma lacuna no que se refere a essa questão, que ainda é muito silenciada. Assim, trazer à pauta esse tema e debatê-lo aumentaria uma chance de atuação nele.

É evidente, portanto, que ainda há entraves para garantir a solidificação de políticas que visem à constituição de um mundo melhor. Destarte, é preciso que as escolas, em parceria com empresas privadas, incentive rodas de leitura e discussão no ambiente escolar, a partir de obras literárias que abordem o uso consciente da tecnologia. Tais empresas podem fornecer os livros e os próprios professores realizar o processo mediador, elaborando, posteriormente, desenvolvendo e mostras culturais que divulgam à comunidade o trabalho realizado. Assim, haverá maior debate sobre o gerenciamento do uso da tecnologia. Por fim, é preciso que a comunidade brasileira olhe para uma problemática com mais empatia, pois, como testesu o poeta Leminski: “Em mim, eu vejo o outro”.