Controle parental quanto ao uso da tecnologia: prevenção ou invasão à privacidade das crianças?

Enviada em 27/09/2021

Na obra “Ensaio sobre a cegueira”, o escritor José Saramago ressalta a importância de se ter olhos quando todos já os perderam. Revela-se, sob essa ótica uma espécie de cegueira social que impede os indivíduos de enxergarem problemáticas como o controle parental dos pais quanto ao uso de tecnologias ser positivo visto que a internet não possui filtro ou negativo por controle exagerado não condizente com o momento de individualidade do indivíduo.

Neste contexto, em 2015, foi amplamente divulgado pelas mídias o alerta aos pais sobre o jogo “Baleia Azul”. O jogo consistia em várias etapas controladas por um moderador, aonde no final o individuo deveria terminar tirando a própria vida. Desta forma, há a necessidade de os pais vigiarem mais os filhos em que sites tem frequentado e o que eles têm visto na internet. Além disso, devido ao simulacro e a simulação descrita pelo sociólogo Jean Baudrillard, que é fingir ter o que não tem ou é, os jovens tem cada vez mais se comparado, o que gera queda na saúde mental. Assim, o Centro de Valorização da Vida, divulga que a maior parte dos suicídios são cometidos por jovens e a cada ano esses dados vem aumentando.

Ademais, os limites do controle parental já vêm sendo abordado na arte como no seriado “Black Mirror”, no episódio Arkangel, onde é instalado um microchip na cabeça de Sarah. O microchip permite saber onde a criança está, e permite ao responsável enxergar pelos olhos da criança. Tal episódio corrobora com a teoria de controle de Foucault, em que o poder e disciplina vão se capilarizando do Estado para a família. Assim, o episódio demonstra com maestria que à medida que o indivíduo se desenvolve ele tem como necessidade sua individualidade e privacidade.

Portanto, diante do que foi exposto, medidas precisam ser tomadas para que essa cegueira social termine. Cabe ao Estado, por meio do Ministério da Saúde e Educação enxergar a situação com problema público e desenvolver programas nas escolas em que os pais assistam palestras e sejam orientados por profissionais em psicologia e educação infantojuvenil a como realizarem esse monitoramento. Cabe também a população pressionarem as empresas como Google e Netflix a criarem filtros de sites e programações com maiores opções de ajustadas a diferentes faixas etárias. Assim, talvez com essas medidas os pais poderão estar mais cientes do que seus filhos estão fazendo em relação as tecnologias sem desrespeitarem o desenvolvimento individual dos filhos.