Controle parental quanto ao uso da tecnologia: prevenção ou invasão à privacidade das crianças?
Enviada em 30/09/2021
A introdução de crianças e adolescentes brasileiros cada vez mais cedo na internet pode causar grandes riscos para eles e precisa ser monitorada pela família. Tal processo tem origem inquestionável na vulnerabilidade em que a criança se encontra ao navegar pelo universo virtual. Assim, entre os fatores que aprofundam a gravidade desse fenômeno, pode-se destacar a falta de fiscalização por parte das redes sociais em perfis infantis e a ausência de matérias voltadas para o uso correto e seguro da internet nas escolas.
Em primeiro lugar, a desproteção da criança na internet somada com a falta de políticas específicas para os perfis infantis nas redes sociais intensificam a necessidade do monitoramento familiar nesses ambientes. Esse cenário advém de que pessoas mal intencionadas aproveitam da liberdade e anonimato providos pela internet para agredir virtual e moralmente os indivíduos mais jovens, que ainda não possuem maturidade suficiente para lidar com determinadas circunstâncias. Com base nisso, os indivíduos se veem submetidos a situações de cyberbullying, abuso sexual online e conteúdos que tem alusão á violência e suicídio. Exemplo claro dessa realidade foi mostrado na campanha “Save the children” em que uma em cada sete crianças são vítimas de abuso sexual online, que apesar de ter sido realizada no México, em território brasileiro não é muito divergente.
Em segundo lugar, a falta de disciplinas escolares direcionadas à navegação segura na internet também aumenta a importância da fiscalização parental no ciberespaço. Isso ocorre pois as escolas primárias parecem, até hoje, estar despreparadas para o século XXI, em que a internet está presente no cotidiano dos alunos, e negligenciam a instrução voltada para a cibersegurança. Consequentemente a isso, o estudante aprende sobre o movimento dos planetas, mas não tem noção de como se proteger virtualmente e de como o diálogo com os pais e professores sobre os riscos de navegar é importante. Diante do exposto é necessário reconhecer que o monitoramento parental é imprescindível para a plena segurança das crianças e adolescentes brasileiros no meio virtual, além disso, também é necessário o auxílio das escolas e das empresas de redes sociais. Para isso, faz-se essencial que o Governo Federal adicione ao Estatuto da criança e do Adolescente diretrizes para auxiliar as famílias a manter suas crianças seguras - que conte com disciplinas educativas nas escolas sobre o manuseio da internet e sobre a importância do diálogo aberto com os pais - por meio de uma lei a ser votada no congresso com a finalidade de auxiliar as famílias a manter a segurança dos infantes. Somente assim o monitoramento familiar terá eficácia.